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Confiança do Comércio registra segunda alta consecutiva e sobe 1,1 ponto em março

Patamar médio do primeiro trimestre de 2023 ficou abaixo do final do ano passado, mantendo a trajetória negativa pelo segundo trimestre consecutivo


Foto: Jonathan Borba/Unsplash

O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) do FGV IBRE subiu 1,1 ponto em março para 86,9 pontos, registrando a segunda alta consecutiva. Na métrica de médias móveis trimestrais houve virtual estabilidade, com variação de -0,1 ponto.

A alta do ICOM em março foi concentrada em 2 dos 6 principais segmentos do setor embora, mas com avanço nos dois horizontes temporais mensurados. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) variou 0,3 ponto para 86,9 pontos, pelo segundo mês consecutivo, enquanto o Índice de Expectativas (IE-COM) que tinha caído em fevereiro, voltou a subir 1,6 ponto, para 87,3 pontos.

“Depois de uma virada de ano negativa, a confiança do comércio voltou a subir pelo segundo mês consecutivo. Em março, houve alta nos indicadores dos dois horizontes temporais, influenciados por uma melhora na situação atual e nas perspectivas mais otimistas no horizonte de seis meses, mas ainda distantes das perdas recentes, mantendo o indicador em nível historicamente baixo. Para esse cenário se sustentar seria necessário, nas próximas divulgações, resultados mais positivos e com maior amplitude, o que não parece ser o caminho dado o ambiente macroeconômico delicado”, avalia Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.

Evolução trimestral da confiança do comércio

Apesar da recuperação da confiança nos últimos dois meses, o patamar médio do primeiro trimestre de 2023 ficou abaixo do final do ano passado, mantendo a trajetória negativa pelo segundo trimestre consecutivo. A continuidade desse cenário desfavorável foi influenciada pela piora na percepção da situação atual, que registrou queda de 9,1 pontos na passagem trimestral, enquanto o IE-COM caiu 1,9 ponto. “Esse resultado reforça o cenário de desaceleração do setor em 2023, especialmente pela queda mais acentuada nos indicadores do presente, sugerindo demanda ainda em ritmo fraco. Os últimos resultados ainda foram insuficientes para reverter essa tendência”, completa Tobler.

Fonte: Mercado de Consumo

Maioria dos brasileiros não é leal às marcas do segmento de bens de consumo

Entre os consumidores pouco fiéis, o principal fator que leva à troca de uma marca na hora das compras é o preço


Foto: Shutterstock

Quase dois terços dos brasileiros (64%) não têm marcas ‘queridinhas’ em suas cestas de compras de itens do dia a dia, como alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza.

Entre os consumidores pouco fiéis, o principal fator que leva à troca de uma marca na hora das compras é o preço. Segundo uma pesquisa do Google encomendada à Offerwise, 37% das pessoas costumam trocar de marca quando encontram uma boa oferta.

Outros 21% dos consumidores estão de olho em atributos de conexão da marca com seus valores pessoais, como sustentabilidade. Somente 6% do total se autodeclaram como “desapegados” e que estão sempre mudando de marcas.

“Vivemos um período de transformação na forma como o consumidor interage com as marcas de bens de consumo, criando um cenário mais desafiador para a continuidade do crescimento dessas empresas”, explica Marco Bebiano, diretor de negócios para o segmento de bens de consumo do Google Brasil.

Apenas 10% dos consumidores da Geração Z não levam em conta o reconhecimento de marca na hora de comprar produtos na categoria de bens de consumo. O que eles mais buscam na hora da compra são experiências e produtos personalizados.

Em busca de conexão

A maioria dos brasileiros (88%) acredita que há marcas nos segmentos analisados que conseguem se conectar melhor com os consumidores. Temas como sustentabilidade (43%) e diversidade e igualdade (38%) são a base dessa conexão com as empresas. Quando perguntados sobre o que consideram mais importante para escolher uma marca, o propósito (20%) foi o quinto fator mais citado. Inclusão ficou em sétimo lugar na lista com 18%.

“É urgente que a indústria repense o desenvolvimento de produtos e a comunicação com os brasileiros e busque uma nova relação baseada em propósito e valores comuns”, diz Bebiano.

Além da sustentabilidade, outros atributos ganham destaque na preferência do consumidor. Produtos desenvolvidos sob medida são valorizados por 65% dos consumidores. Mais da metade (54%) também afirmou dar mais valor a produtos produzidos por pequenos produtores e 48% declarou valorizar produtos feitos no Brasil.

Os entrevistados também apontaram sua preferência em relação a como o processo de compra deve mudar no futuro:

  • As compras devem ser mais rápidas e práticas (78%);
  • Espera o surgimento de novos meios de pagamento (57%);
  • A experiência de compra deve cada vez mais personalizada (57%) — destaque para as mulheres (61%) e Geração Z (65%);
  • O ambiente virtual deve se aproximar cada vez mais do real (52%);
  • As marcas devem ser mais conscientes no aspecto ambiental (52%);
  • A experiência de compra deve ser mais inovadora e tecnológica (51%).

Fonte: Mercado de Consumo

Digitail vai reunir as principais tendências do varejo digital em São Paulo

Primeira edição do evento será realizada pela Gouvêa Experience em abril


Foto: rupixen/Unsplash

Omni PDX, excelência na entrega, cliente no centro e novas formas de pagamento e precificação estarão entre os temas centrais da primeira edição do “Digitail – O mundo físico também está on”, evento que será realizado pela Gouvêa Experience em abril para debater as principais tendências do varejo digital.

Entre os dias 18 e 19 de abril cerca de 40 especialistas do mercado de varejo, consumo e foodservice vão debater e compartilhar cases de sucesso, tendências e estratégias inovadoras no Villaggio JK, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. As inscrições para o Digitail podem ser feitas neste link.

Entre os palestrantes confirmados, estão Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Gustavo Fruges Ferreira, diretor-executivo do Grupo Boticário; Thais Redondo, diretora de Pagamentos do iFood; Enio Garbin, head de Bens de Consumo e Varejo para a América Latina da Amazon Web Services, entre outros grandes nomes.

“Buscamos reunir no mesmo espaço as melhores práticas de digitalização do varejo e consumo, como forma de compartilhar e construir experiências cada vez mais relevantes ao consumidor, como e onde ele estiver”, resume o CEO da Gouvêa Experience, Tonico Novaes.

Durante o Digital, estarão em pauta também as demandas atuais do mundo do trabalho, como os desafios para atrair profissionais capacitados e formar equipes de tecnologia. “Queremos colaborar com a resposta para uma grande pergunta que se faz atualmente: qual é o perfil desejável do profissional que irá atender às demandas futuras dos negócios?”.

Quatro trilhas de conteúdo

Os painéis dos dois dias do Digital serão divididos em quatro trilhas temáticas: “O novo ponto de experiências – Omni PDX”; “Excelência na entrega”; “Cliente no centro”; e “Novas forma de pagar, receber e preci?car”. Todas as mesas serão permeadas por temas como Inteligência Artificial, e-commerce, Internet das Coisas (IoT) e uso de dados.

A expectativa é de que cerca de 700 profissionais e empreendedores de diferentes áreas do varejo, como marketing, tecnologia e operações, marquem presença no evento, assim como representantes de retailtechs e startups.

A Gouvêa Experience, realizadora do Digitail, é a vertical de eventos do Grupo Gouvêa Ecosystem e responsável pela realização anual do Latam Retail Show, congresso de varejo e consumo realizado sempre em setembro em São Paulo. A Gouvêa Ecosystem é uma holding que reúne consultorias, soluções e serviços dos setores de consumo, varejo e distribuição. 

Fonte: Mercado de Consumo

IA, de onde vem, do que se alimenta e o que entrega?


Foto: DeepMind/Unsplash

Com este artigo, iniciamos a série sobre Inteligência Artificial aplicada aos negócios! Meu objetivo é ajudar você a aterrissar tantos conceitos que estamos escutando e conseguir materializar como a IA pode ser útil no seu negócio!

Mas afinal, de onde vem a IA? Ela teve o seu conceito definido em 1950, na Universidade de Carnegie Mellon, pelos cientistas Herbert Simon e Allen Newell, que criaram o primeiro laboratório dedicado a IA dentro de um ambiente acadêmico.

E por que criaram? A IA é uma ciência que associada à engenharia e que tem como função simular o pensamento humano através de máquinas inteligentes que possam aprender, raciocinar, interpretar e tomar decisões de formas semelhante aos seres humanos com a finalidade de reduzir erros, propor soluções e facilitar rotinas.

E para os negócios, qual o pulo do gato? A IA está presente em todo e qualquer processo dentro de uma empresa. Ela veio com a missão de fazer a diferença no dia a dia das empresas, começando pelas inúmeras melhorias na otimização de processos, facilitando a captação e a fidelização de clientes, reduzindo os custos operacionais e, com isso, aumentando a competitividade e trazendo ganhos consideráveis nos resultados.

E do que ela se alimenta? De onde vem a base para que ela possa dar todos esses resultados? Dados. Isso mesmo, os dados da empresa são a base da IA.  A empresa precisa inicialmente ter uma cultura data-driven, ou seja, os dados serão o principal ingrediente para as tomadas de decisão e para os planejamentos estratégicos. Tudo vai acontecer a partir dos dados. O sucesso de um projeto de IA depende totalmente dos dados, desde a coleta, processamento e análise dos dados gerados pela própria empresa.

Quais as principais entregas da IA para os negócios? O investimento em IA pode projetar exponencialmente o desempenho do seu negócio, trazendo insights através das análises dos dados que são capazes de mudar completamente o caminho a ser percorrido e os resultados que serão alcançados.

Resumindo o que falamos acima, alguns resultados que um projeto de IA pode trazer para o seu negócio:

  • Otimização de processos,
  • Aumento de produtividade,
  • Facilitação para captação e fidelização de consumidores com um suporte eficiente,
  • Atendimentos personalizados,
  • Redução de custos operacionais,
  • Cruzamento de informações,
  • Melhora da competitividade e aumento de vendas,
  • Melhora na comunicação interna com colaboradores, fornecedores e clientes,
  • Análises preditivas e decisões mais assertivas,
  • Proteção contra ameaças virtuais, como fraudes e ataques cibernéticos.

O que vimos nesse primeiro episódio é que os dados são o início, meio e fim de um projeto de IA bem-sucedido. A confiabilidade dos dados é a chave de acesso para que a IA possa fazer o seu trabalho. As empresas que querem ter a IA como sua principal aliada para o progresso precisam começar “adubando” a terra para colher os melhores dados.

A implantação de um projeto de IA precisa de métricas bem definidas para nortear a geração de dados e o desenho de um projeto único, que será o da sua empresa.

As empresas, dos mais variados segmentos, precisam ter um projeto de IA para chamar de seu. Esse é um caminho sem volta para manutenção e crescimento do seu negócio.

Vejo vocês no próximo episódio com mais sobre IA aplicada aos negócios.

Por: Patrícia Bordignon Rodrigues*
*Diretora de Marketing e Canais Benkyou
Fonte: Mercado de Consumo

O varejo pode estar sofrendo dos males do mundo contemporâneo

Em 2023 talvez a mais recente tecnologia pode não ser a melhor resposta para seu negócio


Foto: Gentina Bintang Danurendra/Pixabay

Vou trazer dois fatos da sociedade contemporânea que parecem ter pouco ou quase nada em comum com a vida dos negócios, mas que na verdade refletem profundamente o comportamento deles de hoje, especialmente com a volatilidade e instabilidade que o mercado está submetido, graças às mudanças de comportamento dos usuários e pelas constantes novidades tecnológicas.

Fato 1 – A vida em sociedade - Durante a fase de “entrevistas preliminares”, as quais faço com pacientes que se habilitam para análise no meu consultório, acabo descobrindo qual o território ao qual aquele indivíduo quer “resolver” na sua vida.

De pelo menos uns 18 meses para cá, tenho recebido pacientes com uma queixa recorrente que chamo aqui de queixa do “Patinho Feio”. As falas são as de inadequação, imperfeição, inconformidade. São 3 “is” que invadiram de forma subreptícia as mentes desses pacientes e de tantos outros.

A impecabilidade do entretenimento no Insta e no TikTok vem construindo um novo pilar de formação de comportamento para o indivíduo do mundo contemporâneo: a obrigação de produzir e não errar. E, pior do que isso, a obrigação de agradar todo mundo ao mesmo tempo na busca dos likes e comentários.

Ou seja, na psique do indivíduo contemporâneo, sucesso (hoje) tem fórmula…quer dizer, tem gabarito. Se você não o segue ou não preenche esse gabarito, está fadado ao fracasso. E a consequência disso é assustadora: a produção de uma legião de frustrados com suas vidas demandando reparação ou adequação.

Esse recorte cotidiano vem impactando vários extratos de idade e demográficos. Não é exclusivo apenas dos jovens de geração Alpha ou Z.

Fato 2 – A vida a dois - Por incrível que pareça, quando o assunto é relacionamento a dois, ainda estamos sob a influência do período romântico europeu do século 18. A idealização do parceiro(a), o sentimento sempre profundo e o drama como elementos centrais na relação e a tentativa em transformar o comportamento de duas pessoas em apenas um. O rescaldo disso tudo? Um tom de “desconforto” no ar, já que o objetivo do casal é chegar à perfeição na soma de ambas personalidades.

O que fica de fora nesse tipo de relação? A individualidade de cada um, os desejos pessoais e as vontades próprias, elementos basais, formadores da identidade dos indivíduos.

Ou seja, estamos falando de uma clara ausência de formação de identidade individual nos casais e de uma tentativa de produção de individuação a partir da “soma de dois” (que só pode gerar casais infelizes e neurotizados).

A consequente falta de admiração pelo parceiro (a) como “indivíduo diferente de mim” é um fato que ocorre praticamente de forma unânime ao longo da vida dos casais contemporâneos e é um dos responsáveis pela deterioração nas relações.

Mas o que esses dois fatores têm a ver com negócios? - O varejo pode estar sofrendo dos males do mundo contemporâneo e isso pode ser observado nos dois fatos da sociedade contemporânea que mencionei anteriormente. Tanto na vida em sociedade quanto nos relacionamentos amorosos, há uma pressão para atender a um padrão de perfeição e um “protocolo” que é imposto pela sociedade.

Essa pressão também se reflete nos negócios, especialmente os de varejo, já que os consumidores estão cada vez mais exigentes e procurando por produtos e serviços que atendam a esse padrão de perfeição. Ao mesmo tempo que os gestores do varejo desejam como um “must have” as facilidades do novo mundo tecnológico disponível para as suas operações.

Fica a fantasia de que as empresas que não conseguirem atender a essas expectativas dos seus usuários correm o risco de perder rapidamente seus clientes e de sofrer com a volatilidade e experimentar o fracasso no curto prazo. E, por isso, a operação nos negócios de varejo está começando a entrar num funil de perfeição idealizada, propalada pelos gurus de negócios com conceitos dos mais variados e onerosos como omnichannel, plataformas digitais, web3 etc.

Acontece que o efeito mais imediato da pós-pandemia, especialmente no varejo, de acordo com as palestras da última NRF 2023, é o foco orientado para o curto prazo no uso responsável dos recursos. E tentar rentabilizar ou recuperar as margens dos negócios com aquilo com o que já se tem.

Não me esqueço do conceito de policrise, trazido pelo Instituto Cascade, que prevê nestes novos tempos uma “rede de crises concomitantes”, e não uma crise de cada vez, como sempre tivemos até hoje. Portanto, ela recomenda parcimônia nas atitudes empresariais.

Ou seja, o que 2023 demanda não é exatamente (e apenas) o mundo idealizado do varejo de ponta (apesar dele ser altamente desejado), mas, sim, um comportamento de “back to the basics”. Não trago com isso o desencorajamento de adoção do novo, mas a valorização do que já se tem. Desde o olho no olho e o carisma na hospitalidade da loja até serviços de baixo custo e alto valor agregado, como a entrega das compras na casa do consumidor. Sem tecnologia, mas com muita eficiência.

Assim como nos relacionamentos amorosos, a falta de individualidade e a tentativa de se moldar a um padrão pode levar à perda de identidade das empresas e marcas. O esforço dos varejistas em replicar os modelos de negócios mais contemporâneos pode resultar em alta eficiência operacional no médio e longo prazos, mas em perda de sua identidade e engajamento entre marca e usuário no curto prazo.

Perder suas características em detrimento de fazer o que “está na moda” nos negócios de varejo pode não só descaracterizar seu negócio como ser um custo desnecessário no curto prazo.

As empresas que não conseguem se destacar e mostrar sua identidade única correm o risco de se tornarem mais uma no mercado e de perderem sua relevância. Por isso, é importante que as empresas encontrem sua identidade e sejam autênticas em suas ações e comunicações com os clientes, independentemente das melhores práticas divulgadas em cases de negócios em palestras e congressos.

Mas é importante que elas sejam flexíveis e capazes de se adaptar às mudanças no mercado e às novas tendências de comportamento dos consumidores, sem necessariamente ter que se endividar para adquirir as tecnologias mais avançadas do mercado.

A evolução tecnológica é tão grande e veloz que os gestores do varejo acabam tendo a sensação de estarem obsoletos em quase 100% dos casos, quando são deparados com as novas tecnologias, mas acredite que neste segmento, onde o traço humano tem uma importância enorme, podemos ir  contra o ditado: “o que trouxe seu negócio até aqui pode não te levar adiante”.

No varejo, apesar da tecnologia gerar à escalabilidade e volume tão desejados, a relevância do “high touch” é muito maior que o “high tech”. Ou seja, para um 2023 mais “pé no chão”, nada melhor que acreditar naquilo que te trouxe até aqui: relacionamento e engajamento.

Por: Ulisses Zamboni*
*Chairman e sócio-fundador da Agência Santa Clara