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Comércio varejista cai 0,1% de janeiro para fevereiro

Seis das oito atividades do varejo tiveram queda


Foto: Jonas Leupe/Unsplash

O volume de vendas de comércio varejista no País recuou 0,1% na passagem de janeiro para fevereiro, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (25), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na passagem de dezembro para janeiro, o setor havia crescido 3,8%.

O varejo cresceu 02,% na média móvel trimestral, 1% na comparação com fevereiro de 2022, 1,8% no acumulado do ano e 1,3% no acumulado de 12 meses.

Em fevereiro, seis das oito atividades do comércio varejista tiveram queda: equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-10,4%), tecidos, vestuário e calçados (-6,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2%), móveis e eletrodomésticos (-1,7%), hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%) e combustíveis e lubrificantes (-0,3%).

“Podemos fazer uma leitura dos resultados por consequência de um período ruim de Black Friday e Natal, que resultou em uma recuperação em janeiro e uma sustentação desse patamar em fevereiro. Além disso, um cenário de inflação estável em alguns setores importantes para a nossa pesquisa, como a alimentação em domicílio, que impacta a atividade de hiper e supermercados, também ajuda a entender os resultados observados em fevereiro”, disse o coordenador da pesquisa, Cristiano Santos.

Duas atividades tiveram alta: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,4%) e livros, jornais, revistas e papelaria (4,7%).

Receita nominal

A receita nominal do comércio varejista cresceu 0,3% na comparação com janeiro, 7,5% em relação a fevereiro de 2022, 9,3% no acumulado do ano e 13,6% no acumulado de 12 meses.

O volume de vendas do varejo ampliado, que inclui também materiais de construção e veículos/peças, cresceu 1,7% na passagem de janeiro para fevereiro. O segmento de veículos, motos, partes e peças cresceu 1,4%. Paralelamente, o setor de material de construção caiu 2%.

Na média móvel trimestral, o varejo ampliado cresceu 0,9%. Também houve crescimento de 0,1% no acumulado do ano. No entanto, foram anotadas quedas de 0,2% na comparação com fevereiro do ano passado e de 0,5% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal do varejo ampliado teve altas 1,8% na comparação com janeiro, 6,6% em relação a fevereiro de 2022, 7,8% no acumulado do ano e 11,7% no acumulado de 12 meses.

Fonte: Mercado de Consumo
Com informações de Agência Brasil

Consumo nas classes D/E foi o que mais cresceu no Brasil em 2022

A classe C foi a única que ainda não recuperou os patamares pré-pandemia e a que mais reduziu volume de compra


Foto: Freepik

Apesar de perderem poder de compra nos últimos dois anos, principalmente por conta da inflação, os brasileiros puxaram o consumo na América Latina no último ano. Segundo o relatório Consumer Insights, da Kantar, a aquisição de bens de consumo massivos no País cresceu 2,7%, em 2022.

E esse crescimento foi puxado principalmente pelos consumidores das classes DE, com alta de 5,2% em número de unidades, em 2022, em relação a 2021. Entre os consumidores das classes AB, o crescimento foi de 3,1%.

Única que ainda não recuperou os patamares pré-pandemia e a que mais reduziu volume durante a pandemia, a classe C teve um crescimento de 1,8% em unidades consumidas.

Outros países

O levantamento foi feito com 35 mil consumidores da América Latina entre janeiro e dezembro de 2022: Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru. Para comparar realidades diferentes, os países foram divididos em grupos, de acordo com a expectativa econômica de cada um.

Brasil, México e Peru se mostraram os mais resilientes, uma vez que a inflação em 2022 não passou de 5% acima da média dos últimos cinco anos.

O grupo que tem o Equador como maior representante, mas também conta com América Central e Bolívia, e que costuma registrar níveis mais baixos por conta da dolarização, teve taxas bastante disruptivas no último ano, chegando a 4%.

Já Argentina, Colômbia e Chile apresentaram inflação 10% (ou até mais) acima das médias históricas, colocando os consumidores sob pressão.

Além do Brasil, que teve crescimento de 2,7%, houve crescimento de 1,9% no volume de compras feito no México. Os demais países tiveram retração igual ou superior a 3% em relação a 2021.

Fonte: Mercado de Consumo

Varejo generativo é a nova era que nasce da combinação da IA e do omnivarejo


Ilustração: W3 Maserekt/Unsplash

Que o poder transformacional da IA (Inteligência Artificial) na sociedade é enorme todo mundo já sabe. Talvez um dos melhores exemplos é que sua força e potencial transformador acabaram por mudar a atitude do desbravador, visionário, intrépido e ambicioso Elon Musk, da Tesla, SpaceX, Neuralink e outros empreendimentos disruptivos, em alguém mais cauteloso, ao assinar cartas junto com Bill Gates, Stephen Hawking e outros líderes em tecnologia, em 2015, e depois, em 2021, pedindo mais cautela e regulação prévias antes de abrir ainda mais o espaço para o uso amplo da Inteligência Artificial.

Mas o lançamento do ChatGPT-3, sua evolução 3.5 e a anunciada versão 4.0 colocaram muitos elementos de IA ao alcance de um sem-número de usuários, precipitando discussões e debates sobre todo seu poder transformador no mundo, em suas mais diversas áreas e atividades, da educação aos negócios, passando pelo emprego, economia, finanças, medicina, comportamento e muito mais.

Em especial, quando avançam os conceitos da IA generativa como sendo um modelo capaz de criar conteúdo original, que nunca existiu antes, baseado em algoritmos que são treinados em conjuntos de dados e podem aprender a reconhecer padrões e criar novos caminhos com base nesses padrões.

Pensando na cadeia de valor do varejo e do consumo, é possível imaginar uma nova era que vamos nominar varejo generativo. Ou seja, uma combinação do omnivarejo com a Inteligência Artificial usando algoritmos para analisar dados dos clientes, como histórico de compras, preferências e comportamentos, e fornecendo recomendações personalizadas, além de produtos, serviços e soluções que atendam necessidades em tempo real.

Além disso, o varejo generativo permite que as empresas melhorem a eficiência operacional e o potencial aumento de vendas, ao usarem dados para tomar decisões mais eficazes e com melhor taxa de retorno.

O ChatGPT e suas variantes apenas popularizaram o uso da IA. Mas no mundo dos negócios, do varejo e do consumo, a incorporação dessas ferramentas, que podem parecer distante da nossa realidade atual, já é presente e traz resultados.

A Amazon reportou que mais de 35% de suas vendas são por recomendações personalizadas e uma expressiva redução de horas trabalhadas em suas áreas de logística, nos centros de distribuição e nos processos de separar e embalar pedidos, além da redução em mais de 50% nas taxas de fraudes e no aumento para 90% na precisão da previsão do comportamento da demanda.

Alibaba, Sephora, H&M, Zara, Carrefour e Walmart também reportam significativos avanços no uso de IA na personalização da experiência dos clientes, gerenciamento de estoques, previsão de demanda de produtos e serviços, otimização de preços e melhoria da eficiência operacional.

Na realidade brasileira, Magalu, Renner, iFood e a inovadora Petlove estão entre as que já incorporaram alguns desses conceitos de varejo generativo para melhoria da experiência de seus clientes e dos resultados.

Na multivarejo Petlove, o uso da IA tem sido aplicado de forma precursora no segmento envolvendo personalização da experiência dos clientes; no chatbot, fornecendo suporte em tempo real; na previsão da demanda; na otimização dos preços e nas análises de dados, identificando tendências e comportamentos de compras.

A evolução da vida, da sociedade e dos negócios sempre acontece em eras ou ciclos. E não é diferente no mundo das cadeias de valor do consumo e do varejo.

Estamos definitivamente no estágio inicial do varejo generativo, que, como todo ciclo ou era, todo mundo sabe como começa, mas ninguém sabe, com certeza e antecipadamente, como terminará.

E não existe a opção do pare o mundo que eu quero descer, ou mesmo ter uma pausa.

Vale refletir.

Por: Marcos Gouvêa de Souza*
*Fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
Fonte: Mercado de Consumo