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Os segredos da execução estratégica


Foto: fauxels/Pexels

Estratégias falham porque nem sempre são estratégias. Esse modelo de unilateralidade, top down, não funciona, pois a execução de uma estratégia raramente é um caminho unilateral.

E como fazemos para vencer os desafios inerentes a esse processo e oferecer insights sobre como superá-los para alcançar uma execução estratégica bem-sucedida?

Base estratégica e comunicação

O cerne de muitos problemas de execução estratégica reside na confusão entre metas e estratégias reais. Uma estratégia efetiva vai além de objetivos vagos e exige um conjunto claro de escolhas que delineiam não apenas o que a empresa buscará realizar, mas, igualmente importante, o que deliberadamente optará por não fazer.  Em muitas coisas ocasiões, o não fazer também é uma estratégia.

A eficácia da execução estratégica começa com uma comunicação clara. Ao apresentar um conjunto limitado de opções definidas, a mensagem torna-se mais fácil de ser assimilada e retida pelos colaboradores. Por outro lado, uma lista extensa de opções corre o risco de se perder na memória, resultando na falta de influência sobre os comportamentos desejados.

Comece com algo pequeno e vá escalando. Seja transparente ao comunicar os objetivos e os caminhos esperados. Implementar estratégias efetivas é um desafio contínuo para as organizações modernas, frequentemente marcado por lacunas entre a concepção e a execução prática.

Algumas empresas confundem estratégia com meta. “Queremos ser líder de mercado” é uma delas. Não se diz o que vai ser feito, mas sim o resultado. Outra confusão vem do “A estratégia está montada, agora é executá-la”. Muitas estratégias falham por ficar só na mente de quem as cria.

Harmonizando direção e iniciativa

A abordagem bem-sucedida para a execução estratégica transcende a dicotomia de cima para baixo versus de baixo para cima. É uma interação dinâmica, em que os líderes estabelecem uma direção clara, enquanto os colaboradores têm espaço para contribuir com iniciativas dentro dos parâmetros definidos. Essa colaboração bidirecional não apenas fortalece a implementação, mas também fomenta um ambiente de inovação contínua.

Resistência à mudança e seleção orgânica

Dois desafios cruciais enfrentados na execução estratégica são a resistência à mudança e a tentação de líderes em realizar escolhas de baixo para cima. A resistência pode ser superada ao adotar uma mentalidade de mudança como padrão, invertendo a lógica tradicional. Quanto à seleção de iniciativas, é imperativo resistir à tentação de decisões centralizadas, criando sistemas objetivos para que elas ocorram organicamente.

Em busca da mudança sustentável

Para uma execução estratégica bem-sucedida, é fundamental identificar e desafiar hábitos organizacionais arraigados que impedem a adaptação. Esse processo envolve questionar práticas estabelecidas, criar um ambiente que encoraje a experimentação e adotar uma postura proativa na busca de melhores alternativas.

Adotando uma mentalidade estratégica dinâmica

Em síntese, o caminho para uma execução estratégica bem-sucedida envolve compreensão, comunicação efetiva, colaboração dinâmica, resistência à inércia e busca constante de melhorias. Ao abraçar essa abordagem holística, as organizações podem transformar desafios em oportunidades e trilhar o caminho rumo ao sucesso empresarial duradouro.

O setor de consumo, que envolve varejo, indústria e serviços, necessita de mais estratégia e execução rápidas, para vencer o mercado desafiador e instável. Quando falamos de estratégia, logo pensamos em planos de 3 anos, mas no mundo frágil e instável atual não se pode perder de vista o presente. Perdemos a noção e o controle do tempo. O futuro para você é essa semana? Ou início do próximo ano?

Há 1 ano, por exemplo, não se falava de #inteligênciaartificial. Será que o futuro projetado se fez presente?

Por: Fabio Aloi*
*Fabio Aloi é sócio-diretor da ONE Friedman
Fonte: Mercado&Consumo


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Ações de impacto socioambiental em 2024: comece pelo seu porquê


Foto: rawpixel/Freepik

O ano de 2024 promete ser aquele em que será impossível ignorar o ESG. Depois de um 2023 cheio de eventos climáticos drásticos e uma Conferência do Clima (COP28) histórica, aqui estamos já de olho no que virá em 2025 com a COP30. O evento, que acontecerá pela primeira vez na Amazônia, já movimenta as empresas brasileiras, a partir deste ano, que querem ter o que mostrar a líderes globais em áreas ligadas à sustentabilidade.

Embora o tema do clima apareça de forma mais latente, é bom lembrar que a ideia de impacto socioambiental é ampla e engloba também o compromisso da empresa com as pessoas ao seu redor, assim como sua governança. E, diante de uma pauta tão ampla, algumas empresas podem se sentir perdidas sobre por onde começar a planejar sua estratégia de impacto socioambiental.

A resposta mais rápida para esse impasse é: comece descobrindo sua causa. O que pulsa como urgente para o seu negócio? Para além do lucro, é claro. O que impacta sua operação e, ao mesmo tempo, importa para os seus clientes, colaboradores e investidores?

Lançado em dezembro de 2023, o #CanvasESG – um playbook desenvolvido pelo Grupo de Estudos Avançados em ESG & Estratégia Criativa #ESGpraJÁ – sugere começar pela seguinte pergunta: para quem estamos criando valor? A ideia é utilizar o questionamento como ponto de partida para identificar oportunidades de resolução de problemas, dores e expectativas dos stakeholders.

O que vem depois disso é uma jornada e tanto. É preciso identificar ações práticas, fazer as parcerias certas, envolver a comunidade e os colaboradores, prestar contas. Mas, esse é um texto sobre como começar e nada acontece se a liderança não se debruçar sobre uma investigação sincera e uma definição clara do seu porque.

Acabamos de virar o ano e o carnaval ainda nem passou: é tempo de começar a planejar o legado do seu negócio. No ano em que será impossível ignorar o ESG, que tal também não ignorar o seu propósito?

Por: Roberta Faria e Rodrigo Pipponzi*
*Cofundadores do Grupo MOL, ecossistema de negócios sociais que promove a cultura de doação.
Fonte: Mercado&Consumo


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

O varejo precisa de lideranças que apoiam riscos


Foto: Ran Berkovich/Unsplash

No varejo, onde a competição entre empresas é cada vez mais acentuada, apoiar riscos pode parecer loucura, mas é na experimentação que o negócio se destaca da concorrência e esse processo depende de lideranças que estimulem iniciativas inovadoras.

O apoio à tomada de riscos permite que os colaboradores desenvolvam habilidades específicas para enfrentar desafios únicos do mercado e a importância desse apoio vai muito além do desenvolvimento individual, refletindo diretamente no crescimento e na resiliência da empresa, fortalecendo a cultura organizacional.

Para alcançar esta excelência, é preciso que os líderes desenvolvam determinadas características e adotem práticas específicas. Listo algumas:

  • Visão clara e inspiradora: uma liderança com uma visão clara e inspiradora comunica aos colaboradores a direção estratégica da empresa, criando um propósito compartilhado que motiva a busca por inovação.
  • Abertura à diversidade de ideias: líderes precisam valorizar e incentivar a diversidade de pensamento. Isso envolve acolher diferentes perspectivas e experiências, reconhecendo que a inovação, muitas vezes, surge da colaboração entre mentes diversas.
  • Cultura de aceitação de erros: uma liderança que promove a inovação compreende que o risco de falha é inerente ao processo criativo. Estabelecer uma cultura que encara os erros como oportunidades de aprendizado é fundamental para encorajar a experimentação.
  • Incentivo à colaboração: promover uma cultura de colaboração e trabalho em equipe é essencial para a inovação. Líderes devem criar ambientes que incentivem a troca de ideias e a cooperação entre diferentes áreas e níveis hierárquicos.
  • Desenvolvimento e reconhecimento: uma liderança, que estimula a inovação, investe no desenvolvimento contínuo da equipe, fornecendo oportunidades de aprendizado. Além disso, reconhecer e recompensar contribuições inovadoras é crucial para manter a motivação.

Em resumo, líder forte gera cultura forte. Cultura forte gera confiança. Confiança diminui o turnover, melhora o atendimento ao cliente e constrói uma equipe de alta performance que, além de novas ideias, entrega resultado.

Por: Rodrigo Maia dos Santos*
*CEO da Gonow1
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações. 

Qual será a próxima jornada de crescimento da sua empresa? E como você irá participar?


Foto: Adobe Stock

Provavelmente você já deve ter passado, nas empresas em que atuou, por algumas reestruturações, “downsizings”, projetos de OBZ, programas de redução de custos e outros que objetivavam otimizar gastos e adequá-los a um patamar que gerasse mais rentabilidade. Pode ser que estes movimentos fossem necessários em determinadas situações, mas é fato que eles não são alavancas para gerar diferenciação e levar a empresa a outro patamar no mercado. Neste artigo convido você a refletir sobre como deveria ser a jornada de crescimento da sua empresa para os próximos três a cinco anos e como você, como profissional, se insere neste contexto.

O ponto de partida

Sugiro que você comece por revisitar os diferenciais competitivos da empresa, seus ativos estratégicos e sua aspiração vencedora, suas ambições, aonde ela quer e deveria chegar. É preciso estabelecer claramente qual o propósito que irá inspirar colaboradores, clientes e consumidores. Nesse momento, ouvir as pessoas que se relacionam com a empresa pode trazer insights poderosos para essa jornada.

A ideação

Recomendo que você assista ao filme “Blackberry”, que retrata muito bem o ciclo de enorme crescimento, sucesso (chegaram a ter 45% de market share) e declínio rápido e profundo da empresa, justamente por não saber se adaptar às mudanças desejadas pelos consumidores e que foram muito bem traduzidas e capturadas por Apple e depois Android.

Alguns elementos que podem ser considerados nesta jornada de crescimento:

  • Novas geografias, regiões ou localidades pouco exploradas, expansão territorial;
  • Novos Produtos que possam adicionar valor ao portfólio, serem inovadores e não “apenas” extensões de linha ou novas versões dos itens atuais;
  • Novos Serviços que possam estreitar o relacionamento com os consumidores e gerar algum tipo de diferenciação;
  • Novos canais de venda, portais B2B, canais digitais próprios ou marketplaces, venda direta ao consumidor (D2C), vendas por apps ou mesmo televendas, parceria com varejistas de outros segmentos, entre outros tantos a serem avaliados;
  • Novos modelos de distribuição, a eficácia logística é cada vez mais um fator de diferenciação entre as empresas e quem conseguir agilidade e eficácia a um custo acessível, terá um trunfo de competitividade nas mãos;
  • Novas tecnologias, permeando praticamente tudo o que acontece nas empresas e nos negócios, mas eu daria um destaque especial para como usar de forma assertiva os dados gerados nas relações e transações com fornecedores, clientes e consumidores, produzindo insights para criar produtos e/ou serviços, novos negócios, novos canais, etc.
  • Novos modelos de negócios com diferentes parceiros, canais, clientes, segmentos, diferentes fontes de receita, estruturas de custos mais flexíveis;
  • Novas habilidades organizacionais, passando por líderes inspiradores e capacitados, time engajado e cultura organizacional que promova a inovação e a adaptabilidade permanente;
  • Novos, novos, novos… Certamente há muitos mais, essa lista está longe de ser exaustiva e precisa ser customizada para cada empresa. Você certamente adicionará alguns para a sua empresa, assim como poderá descartar alguns que não fizerem sentido.

A definição do que fazer

Gostaria de ressaltar que este artigo não é um convite para que você faça um exercício de “futurologia” ou assista a mais uma palestra sobre o “novo” consumidor. Diz respeito a provocá-lo, a pensar em como ir além do orçamento do ano que vem e avaliar quais são os elementos acionáveis já existentes em sua empresa, dos insights vindos a partir do consumidor e dos clientes, dos inputs da equipe de vendas ou da operação de loja, do SAC, enfim, de diversas fontes que podem fornecer ingredientes valiosos para compor a “receita” dessa jornada de crescimento. Nesta etapa, é preciso avaliar os pontos que tem mais aderência com a estratégia da empresa, com seu mercado e com as necessidades não atendidas de seus consumidores. Certamente essa reflexão irá gerar em você muitas ideias e é importante compartilhá-las com sua equipe e/ou com ou seus pares. Para definir o que fazer, recomendo um exercício de viabilidade operacional e financeira e priorização para considerar o que é mais vantajoso do ponto de vista do que o consumidor irá valorizar.

A execução em si

Após um planejamento bem-feito, defina uma estratégia de implementação, o time responsável e parta para a execução. Você nunca se sentirá totalmente preparado, mas é importante começar. Qualifique-se e se ofereça para liderar o projeto, ou uma das frentes do projeto. Monitore de perto a execução, com metas, indicadores e com pessoas focadas.

Por: Rodrigo Catani*
*Head da Gouvêa Consulting
Fonte: Mercado&Consumo


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.