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Desafios éticos e legais do uso de imagens e dados pessoais no treinamento de Inteligência Artificial


Foto: Pawel Czerwinski/Unsplash

O avanço da Inteligência Artificial (IA) vem mudando a forma como as pessoas interagem com a tecnologia e com o mundo. No entanto, ao mesmo tempo em que esses avanços trazem inúmeros benefícios, também trazem desafios éticos e legais, especialmente, no que se refere ao uso de dados pessoais, incluindo imagens, pois esses dados são fundamentais para treinar algoritmos de IA em tarefas como reconhecimento de imagem, processamento de linguagem natural e condução autônoma. O uso desses dados levanta preocupações éticas e legais significativas, especialmente quando se trata de imagens de pessoas e propriedades protegidas por direitos autorais.

Este artigo examinará os desafios associados ao uso não autorizado de imagens e dados pessoais no treinamento de IA, bem como as implicações éticas e legais dessas práticas.

A aprendizagem de máquina e a IA dependem de grandes quantidades de dados para treinar algoritmos e modelos eficazes. Esses dados incluem informações pessoais, como fotos, mensagens, preferências e hábitos de navegação, dentre outros. Sendo assim, a utilização desses dados levanta questões sobre a privacidade e a segurança dos indivíduos.

A privacidade e a segurança de dados pessoais são fundamentais para proteger os direitos individuais e garantir que os usuários mantenham o controle sobre suas informações. Muitas imagens e vídeos estão sujeitos a direitos autorais, e seu uso não autorizado para treinar algoritmos de IA pode constituir uma violação desses direitos. Empresas e pesquisadores frequentemente coletam esses dados de várias fontes, como bancos de imagens públicas, câmeras de vigilância, redes sociais e drones. E a reprodução e distribuição não autorizadas de conteúdo protegido por direitos autorais podem resultar em ações legais contra os responsáveis.

A propriedade intelectual e os direitos autorais também representam uma preocupação no uso de imagens e outros dados para o treinamento de IA. O uso não autorizado de imagens protegidas por direitos autorais pode resultar em violações legais e prejuízos financeiros.

Recentemente, a Nvidia foi processada por violação de direitos autorais. Três autores, Brian Keene, Abdi Nazemian e Stewart O’Nan, alegam que suas obras literárias foram usadas sem autorização para treinar o modelo de inteligência artificial NeMo, desenvolvido pela empresa. Os autores alegam que a Nvidia não respeitou os direitos autorais dos livros utilizados para treinar o NeMo e estão exigindo indenização pelo uso não autorizado de suas obras. Os valores não foram especificados, mas, caso a justiça aceite os argumentos e as provas da acusação, todos os escritores que tiveram suas obras usadas para treinamento nos últimos três anos serão beneficiados.

Este não é o primeiro caso de processo por direitos autorais. Recentemente, a Microsoft e OpenAI foram processadas pelo jornal americano The New York Times por violação de direitos autorais por usar “milhões” de textos do jornal para treinamento do ChatGPT sem solicitar autorização. Consequentemente, a transparência e a responsabilidade são outros desafios importantes a serem enfrentados no uso de IA. É fundamental que os desenvolvedores e os usuários de IA compreendam como os algoritmos funcionam e quais são suas limitações. Além disso, a sociedade deve discutir e estabelecer princípios éticos para garantir que a IA seja utilizada de maneira ética e responsável.

Outra questão relevante que merece atenção é o sobre o Bias, que se refere à tendência de um algoritmo de IA de favorecer certos resultados ou grupos sobre outros devido ao viés ou à falta de representatividade nos dados utilizados para treinar o algoritmo. Isso pode levar à reprodução e amplificação de preconceitos e discriminação. Por exemplo, um algoritmo de seleção de candidatos para uma vaga de emprego pode ter um viés contra mulheres ou minorias étnicas se for treinado com dados historicamente discriminatórios.

Diante dessas preocupações éticas e jurídicas, é crucial adotar abordagens responsáveis e transparentes para o uso de imagens e dados pessoais no treinamento de IA. Algumas das medidas que podem ser implementadas incluem: consentimento informado, anonimização de dados, licenciamento adequado, transparência e responsabilidade.

Ao adotar abordagens responsáveis e transparentes, podemos promover o desenvolvimento ético e sustentável da IA garantindo que ela beneficie a sociedade como um todo.

Conclusão

Em síntese, o uso de imagens e dados pessoais no treinamento de IA oferece oportunidades significativas na visão computacional e em outras áreas relacionadas, no entanto, é essencial abordar as preocupações éticas e jurídicas associadas ao uso não autorizado desses dados, garantindo a proteção da privacidade, consentimento  informado e respeito pelos direitos autorais.

Ao adotar abordagens responsáveis e transparentes, podemos contribuir promovendo o desenvolvimento ético e sustentável da IA, disseminando a importância de abordar esses desafios em uma sociedade cada vez mais digital e dependente de IA, a necessidade de um diálogo contínuo entre especialistas, legisladores e sociedade em geral para desenvolver soluções éticas e legais para esses desafios, garantindo assim que ela beneficie a sociedade como um todo.

Por: Valéria Toriyama e Ana Paula Caseiro Camargo*
*Advogadas do Caseiro e Camargo Advocacia Estratégica
Fonte: Mercado&Consumo


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

O pricing estratégico


Foto: mamewmy/Freepik

Do escambo ao Pix, o preço atribuído a mercadorias e serviços é um dos fatores mais impactantes nas transações comerciais. Nos últimos anos, temos vivenciado uma série de iniciativas de gestão mais profissional da precificação. Em muitas organizações, foram criadas áreas inteiramente dedicadas à gestão de pricing, dada a importância estratégica ligada ao posicionamento da marca no mercado e a relevância para os resultados, com a missão de ser o guardião da margem.

Antes mais comum em setores de serviços, como aviação, hotelaria e locação de automóveis, difundiu-se por quase todos os segmentos de mercado. Preços definidos por canais, localidades e clusters, além de preços dinâmicos para equilibrar oferta e demanda, incentivar o deslocamento para horários de menor movimento e reduzir perda de perecíveis, são alguns exemplos de como as empresas estão atuando mais proativamente na gestão da receita e da rentabilidade.

No varejo e em operações B2C, o pricing é altamente determinante para a decisão de compra. Quando discutimos esse tema com gestores de varejo e de indústrias de bens de consumo, é consenso que ainda há muitas oportunidades de melhorar a lógica da precificação e sua gestão no dia a dia.

É  fundamental ter como ponto de partida o preço final ao consumidor, considerando o posicionamento desejado pela marca e suas categorias, as margens de cada canal e a precificação dos concorrentes, sejam em preços regulares, sejam em ações promocionais.

De modo geral, observamos que as empresas possuem um “bando” de dados, gerados pelo time de campo, como vendedores, promotores de vendas ou por softwares, mas com pouca capacidade analítica para gerar resultado, por meio de ações e respostas rápidas e assertivas. Geralmente, são lentas para agir e tomam decisões reativas, pressionadas por alguma ação da concorrência ou pressão dos clientes. Nesse caso, a expressão “deixar dinheiro na mesa” é muito aplicável.

Nos canais digitais, o pricing sempre foi um tema muito importante, dada a alta competitividade do e-commerce e da agilidade típica do segmento. Quando estruturamos ou revisamos operações de omnichannel dos nossos clientes, esse é um dos temas muito debatidos na definição das regras de negócios nas jornadas de consumo.

E a expectativa do consumidor é por uma experiência fluida, transparente e sem atritos. O consumidor espera encontrar os mesmos preços nos canais digitais e nos offline, pois a relação dele é com a marca. Diversas pesquisas comprovaram que essa diferença de preços entre e-commerce e lojas físicas é um dos itens que mais trazem insatisfação ao consumidor, gerando reclamações nas redes sociais e um boca-a-boca negativo.

A decisão de trabalhar com preços sugeridos cheios entre os canais na precificação original já tem sido bastante praticada pelas empresas, porém, fica a questão a ser resolvida nas campanhas promocionais de qualquer um dos canais. Em geral, as empresas têm optado por igualar os preços entre os canaiss apenas quando há um questionamento do consumidor, evitando possíveis insatisfações e reclamações.

Certamente, o pricing ainda irá evoluir muito nos próximos anos, considerando não só o aumento da concorrência em todos os canais e com novos players, mas, principalmente, com novas ferramentas de tecnologia e Inteligência Artificial. Lembrando que a tecnologia é um meio, e não o fim,  é essencial que o pricing seja decorrente de uma estratégia consistente que promova um alinhamento com canais e clientes e mais importante de tudo, que seja orientada para o consumidor final.

Por: Rodrigo Catani*
*Head da Gouvêa Consulting
Fonte: Mercado&Consumo


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

O que um líder de varejo precisa fazer para impulsionar resultados de forma inteligente e eficaz?


Foto: charlesdeluvio/Unsplash

O primeiro passo para tornar o seu negócio sustentável a curto, médio e longo prazos é exercitar a sua visão estratégica. Analise o mercado e considere fatores externos que possam impactá-lo, como ações realizadas pela concorrência e as principais tendências do seu setor, que são direcionadas mediante os comportamentos do consumidor.

Todo negócio tem uma história relevante para ser contada. Será que você está fazendo está contando essa história de forma relevante e impactante e preparando o seu time para isso também? Essa história precisa ser contata no site da empresa, em seus canais digitais, mas também nas suas lojas e e-commerce, assim como pelo seu time de vendas e atendimento. Se você já usa recursos de IA, ensine-a também a contar essa história.

O storytelling da marca precisa ser visual, mas também vivido por todos dentro da empresa, e estar diretamente conectado à cultura. Como você está contando a história dos seus princípios e ações de meio ambiente, impacto social e governança? Considere também, nesse processo, a experiência e jornada de compra do cliente. Se você ainda não começou a incorporar conceitos e práticas para tornar o seu negócio omnichannel, você está atrasado.

Estratégia nenhuma sobrevive se você não prepara pessoas para dar sustentação a ela e colocá-la em prática. Por isso, é tão importante estimular e fazer investimentos no desenvolvimento contínuo dos seus colaboradores, especialmente, das lideranças. Afinal, líderes precisam assumir o papel de embaixadores da mudança e atuar ativamente no processo de desenvolvimento pessoal do seu time. Como fazer isso se eles não estiverem preparados para assumir esse papel de forma clara e assertiva Capacitações profissionais precisam ir além das paredes das salas de treinamento e aterrissar na rotina da operação. Ferramentas, planilhas e processos são apenas ferramentas. Sem colocar em prática, são apenas um kit de utensílios, aguardando uso enquanto permanecem na gaveta. Ter definições sem ação, dedicação e engajamento do seu time, de nada irá adiantar. Portanto, é papel fundamental da liderança e de todos os envolvidos fazer acontecer.

Por fim, mas não menos importante, tudo isso é estruturado para sustentar o pilar das vendas, que é o que vai trazer receita na linha final, e virá como consequência do resultado do trabalho realizado nos dois pilares anteriores.

Portanto, é de suma importância comunicar ao mercado o seu posicionamento como marca e a sua história por meio de ações de marketing, garantir uma boa experiência ao cliente e também ao seu colaborador, definir os principais indicadores estratégicos do negócio e trabalhar o aumento desses indicadores por meio de orientações claras e ajustes de rotas no dia a dia com o seu time. Defina estratégias coerentes e coloque a mão na massa.

Caso ainda não se sinta preparado para colocar em prática todos os pontos fundamentais desses três pilares, procure por empresas especializadas e que possam apoiar a estruturação do negócio, fazer entregas de qualidade, preparar o seu time e estar junto no processo de desenvolvimento das pessoas e aceleração dos resultados.

A ONE Friedman é pioneira no Brasil ao oferecer formações profissionais como um serviço, indo muito além das entregas das salas de treinamento, com inúmeros casos de sucesso.

Chegou a hora de encontrar seus caminhos e fazer acontecer na sua empresa também!

Por: Roberta Andrade*
*Diretora de Educação Corporativa e sócia da One Friedman
Fonte: Mercado&Consumo


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Inovação e resiliência: o futuro do varejo


Foto: Qin Fan/Unsplash

À medida que o setor de varejo se reinventa na interseção da tecnologia e das mudanças econômicas globais, eventos e pesquisas recentes oferecem uma janela para o futuro. A NRF 2024, realizada em Nova York, e o Fintech Festival de Cingapura compõem uma “rodada internacional” de insights, destacando tendências que estão moldando o mercado.

Além desses fóruns, pesquisas apontam para uma evolução que transcende fronteiras, com foco na resiliência, inovação e o crescente papel do e-commerce, sem subestimar a importância das lojas físicas. A convergência entre tecnologia financeira, experiências de compra aprimoradas e adaptação às mudanças econômicas destaca-se como um tema unificador, sugerindo um caminho vibrante e diversificado para o futuro do varejo.

A NRF trouxe informações interessantes sobre a expansão do e-commerce e seu impacto nas lojas físicas. Segundo dados apresentados na feira, em 2022, cerca de 2.600 lojas fecharam as portas, mas outras 5 mil foram abertas nos Estados Unidos. Somente no primeiro semestre de 2023, 3.420 lojas foram abertas no país. Esse fenômeno ressalta a vitalidade das lojas físicas na estratégia de muitas marcas, evidenciado pelo número de aberturas que supera o de fechamentos. Mais importante do que ter ou não ter loja física é a discussão de qual é o verdadeiro papel delas nesse “novo varejo”. Falarei sobre isso mais adiante.

Em meio aos temas que dominaram as feiras do setor, a explosão da Inteligência Artificial (IA) merece destaque. Esse crescimento é impulsionado por quatro pilares fundamentais: primeiramente, a quantidade sem precedentes de dados disponíveis no ambiente digital é um combustível para ferramentas de IA mais eficientes – diariamente o mundo gera 2,5 quintilhões de bytes de dados.

Em segundo lugar, a capacidade de armazenamento em nuvem, que viu um aumento exponencial nos últimos anos, facilita a expansão e a aplicação da IA em diferentes contextos – custo de armazenamento de dados: 1 Megabyte 1967: USD 1M X 1 Megabyte 2017: USD 0,02).

A conectividade aprimorada (5G já disponível para mais de 140 milhões de brasileiros) e a evolução da capacidade computacional, sem falar na computação quântica que está chegando aí, são os terceiros e quartos pilares, respectivamente, que, juntos, pavimentam o caminho para essa era de inovação sem precedentes.

Analisando o panorama nacional, percebe-se um interesse crescente dos empreendedores brasileiros em tecnologias emergentes. Um estudo recente conduzido pela Visa aponta 9 em cada 10 proprietários de pequenas empresas brasileiras (87%) veem a adoção da Inteligência Artificial e da automação nos próximos 12 meses como provável.

Essa tendência indica um mercado aberto às possibilidades que a IA pode trazer, sugerindo um movimento em direção à modernização e ao aprimoramento da eficiência operacional. A abertura para a integração de novas tecnologias reflete uma visão otimista do futuro, com foco na exploração consciente das oportunidades que a IA representa.

A hiperautomação surge como uma promessa de revolução no setor, com a integração entre lojas físicas e online e o uso potencial de drones e aparatos de robótica em diversas aplicações como picking, controle de estoque, segurança, automatização de processos produtivos e operacionais, concierge, dentre outras.

Este avanço sugere que uma grande porcentagem dos empregos no varejo poderá ser automatizada nos próximos 10 anos, alterando profundamente o perfil das oportunidades de trabalho no setor e exigindo uma requalificação da força de trabalho; afinal, algumas funções serão substituídas por máquinas, mas outras novas serão criadas e vão demandar um novo perfil de mão de obra, especialmente em tecnologia.

Outro assunto em alta, que revela uma tendência forte para o “novo varejo”, é a abertura de uma nova linha de negócio para os varejistas, de forma transversal (multisegmentos), chamada de retail media – a  capacidade do varejista de monetizar seus espaços físicos e digitais com publicidade, porém, fazendo isso de forma mais personalizada e com uso inteligente de dados.

Nesse aspecto, a criação de conteúdo relevante apresenta-se como peça-chave para engajar os clientes e impulsionar as vendas, marcando uma mudança significativa na jornada de compra, que agora é mais orientada por conteúdo. Tradicionalmente, essa jornada é motivada por uma necessidade específica, na qual o consumidor, ao identificar uma falta, partia em busca de uma solução, culminando na compra. Essa equação tem se reconfigurado nos últimos tempos.

Hoje, vemos que o ponto de partida, muitas vezes, é o interesse despertado por algum tipo de conteúdo. Seja por meio de uma publicação em mídia social, um vídeo informativo ou um artigo envolvente, o conteúdo tem o poder de gerar no consumidor uma necessidade previamente inexistente. Esse interesse, agora aguçado, transforma-se em uma busca ativa por produtos ou serviços relacionados, conduzindo à decisão de compra. Esse movimento evidencia a importância de entender as preferências pessoais dos consumidores, transformando a forma como as marcas se comunicam e se relacionam com seu público.

Falamos no começo deste artigo sobre o “novo papel da loja física”. Pois bem, esse foi um tema exaustivamente discutido na NRF e na Fintech Festival. E a conclusão é de que esses espaços estão sendo repensados como hubs de experiências, não apenas vendendo produtos, mas oferecendo serviços e até soluções financeiras.

Esse novo formato de loja exige uma integração perfeita entre o digital e o físico, além de uma personalização que transcende o ambiente online, criando uma experiência de compra única e memorável para o consumidor. Essa evolução talvez explique os bons números de abertura de lojas que apresentei no início deste artigo. A coexistência é possível.

O futuro do varejo passa necessariamente por um “casamento perfeito” entre as novas tecnologias, a gestão eficiente do negócio (focado em geração de receita, novos clientes, redução de churn, eficiência logística), mas também da prática responsável da sustentabilidade, afinal existe uma responsabilidade social que precisa ser protagonizada pelo mundo.

Qual o impacto positivo estamos deixando no mundo? Como fazer uso das tecnologias, de fato, a favor do negócio e da estratégia e não porque é hype? Estamos diante de uma transformação significativa no varejo, e estou ansioso para explorar as possibilidades que esse futuro nos reserva.

Por: Gustavo Turquia*
*Diretor-executivo de Vendas e Soluções para o Varejo da Visa do Brasil
Fonte: Mercado&Consumo