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A transformação da loja no varejo potencializada pela IA


Foto: Igor Omilaev/Unsplash

“Já foi PDV, evoluiu para PDX e depois mudou para OmniPDX. Foi reconfigurada para OmniPDX elevado a IA e, no cenário atual, talvez podemos simplesmente considerar como Shop potencializada pela Inteligência Artificial, ou Shop"IA". E, diferentemente do que estávamos acostumados, as novas configurações brotam ao mesmo tempo em diversas geografias no mundo, com forte predominância do que acontece na Ásia, onde a velocidade de transformação tem sido potencializada pelo senso de urgência em busca do maior protagonismo nos cenários econômico, político e de negócios.”

Nesse cenário, a tecnologia, o digital e a Inteligência Artificial reconfiguram toda a realidade. Temos hoje apenas uma pálida ideia do que será o futuro, como consequência desse processo no varejo. E as transformações passam pela multipolarização, com crescente protagonismo do valor.

O consumidor do passado torna-se megaempoderado, pela multiplicação de alternativas de produtos, serviços, soluções, marcas, canais, formatos e negócios disputando sua preferência, atenção e a, cada vez mais desafiadora, fidelidade.

Como ser fiel com tantas alternativas e oportunidades renovadas, de forma constante e multiplicadas, pelas possibilidades oferecidas pela Inteligência Artificial, disputando e envolvendo seu interesse, atenção e preferência?

Como resultado dessa multiplicação de possibilidades e do maior nível de informação, aumenta a predominância do varejo de valor em suas múltiplas alternativas. Como o EMart, do ecossistema Shinsegae, na Coreia do Sul, que criou em seus super e hipermercados uma área destinada aos produtos No Brand.

O No Brand representa sua estratégia de oferecer em suas operações um negócio só focado em valor, com preços low entry. Ou seja, na faixa mais baixa, em diversas categorias, para combater as operações, formatos e canais tradicionais orientados para o valor, além do que é oferecido pelo digital.

Ao mesmo tempo em que os operadores tradicionais de valor crescem em participação de mercado na Europa, Ásia, Estados Unidos e Brasil, todos os demais buscam caminhos estratégicos para oferecer mais experiência, atratividade, conveniência, facilidade, experimentação, personalização e o que mais for possível para enfrentar a crescente tendência do foco no valor.

Usam todos os recursos possíveis para se tornar mais competitivos, racionais e com maior produtividade para oferecer mais por menos com melhor rentabilidade. Haja desafio.

A Inteligência Artificial, por suas diversas possibilidades, é o elemento da hora e do futuro, para diferenciar, racionalizar, simplificar, atrair, reter, personalizar e, na medida do possível, conquistar o cada vez mais volúvel e volátil consumidor.

Em Singapura, com seu programa de fidelidade, o Capital Group, desenvolvedor, investidor e operador de 18 shopping centers, monitora comportamentos em todas as suas operações, que mesclam varejo, serviços, soluções, coworking e, especialmente, foodservice, reconhecendo e premiando o relacionamento com cashback, promoções e estímulos diversos, personalizados pelo perfil comportamental de seus clientes.

De forma similar, o grupo Hyundai, também operador de varejo na Coreia do Sul, monitora comportamentos e promove troca constante de operadores e negócios em sua maior loja de departamentos em Seul, inaugurada em 2021, com 89 mil m², 6 pisos, 500 lojas e 300 operações de foodservice, focada no público de 20 a 30 anos. Com base nas informações coletadas, eles intensificam o conceito de pop up, aplicando essas estratégias aos diversos negócios oferecidos.

Em tudo o que envolve a frente das lojas, o IA será fundamental no tratamento de dados e na criação de alternativas dinâmicas de personalização, precificação, pagamento, interação e vivência, para diferenciar, atrair, vender, reter e, se possível, fidelizar.

Projetos-piloto na Coreia, Singapura e China individualizam a oferta de produtos e marcas nas lojas, a partir do reconhecimento facial e do enquadramento dos dados demográficos e preferências de clientes com perfis semelhantes, que são constantemente revistos pelo uso da IA.

Na retaguarda dos negócios das lojas, a IA será elemento crítico para fazer tudo isso e muito mais, de forma racional, eficaz e com extrema produtividade, para maximizar rentabilidade e reduzir custos de estoques e despesas, permitindo a expansão num cenário cada vez mais competitivo.

Isso sem falar em todo seu papel crítico nos aspectos que envolvem a gestão estratégica, a integração logística, a personalização da comunicação e do relacionamento, além da ativação digital integrada com o espaço físico.

Nesse horizonte amplo de possibilidades, vale especular sobre o futuro que está sendo construído agora e que transformará, de maneira definitiva, todas as formas do varejo, combinado com serviços e soluções.

Será mágico acompanhar e vivenciar.

Por: Marcos Gouvêa de Souza*
*Fundador e diretor-geral da Gouvêa Consulting
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Impulsione seu negócio: a digitalização no varejo como motor de crescimento


Ilustração: Javier Miranda/Unsplash

Este artigo é um mergulho profundo na apresentação e mesa redonda que ocorreu no Digital 2024, evidenciando como a digitalização se tornou indispensável para o sucesso no varejo.

O evento apresentou estratégias e cases de sucesso que ilustram a influência da transformação digital em enriquecer a experiência do cliente e gerar novas fontes de receita. Para varejistas de qualquer tamanho, a adoção de inovações digitais não só os coloca à frente da concorrência, mas também estabelece as bases para um crescimento exponencial e duradouro.

Estatística de transformação digital no varejo

A digitalização no varejo não é apenas uma tendência, mas uma revolução que redefine o sucesso no setor. Empresas que abraçam a transformação digital estão experimentando um crescimento de receita até 5 vezes maior do que as que não adotam essas estratégias.

Além disso, a preferência do consumidor moderno é clara: 73% preferem interagir com marcas que possuem forte presença online, evidenciando a necessidade de adaptação às novas dinâmicas de mercado.

Pesquisas revelam que 86% dos varejistas reconhecem a transformação digital como vital para a sobrevivência de seus negócios. E os benefícios vão além da satisfação do cliente; há um impacto direto na eficiência operacional, com um aumento de 20% na produtividade das equipes graças ao investimento em tecnologia.

Esses dados não apenas destacam a importância da inovação digital, mas também servem como um chamado à ação para os varejistas que buscam prosperar na era digital.

Melhorando a experiência do cliente - A digitalização permite que as empresas de varejo ofereçam uma experiência de compra mais conveniente, personalizada e satisfatória para os clientes. Algumas das principais soluções incluem:

Omnicanalidade - A omnicanalidade visa integrar harmoniosamente os canais físicos e digitais, permitindo que o cliente tenha uma jornada de compra fluida e personalizada. Isso significa que ele pode iniciar uma pesquisa online, continuar em uma loja física e finalizar a compra pelo aplicativo, tudo de forma coesa e sem interrupções. Essa integração é essencial para criar uma experiência de compra verdadeiramente centrada no cliente.

Inteligência Artificial - As soluções de Inteligência Artificial no varejo digital incluem chatbots para atendimento personalizado, recomendações de produtos baseadas no histórico e perfil do cliente, e ferramentas de autoatendimento para pesquisa e compra. Essas tecnologias permitem uma maior conveniência e satisfação do cliente, além de otimizar os processos internos das empresas.

Realidade aumentada - A realidade aumentada tem sido, cada vez mais, adotada no varejo para melhorar a experiência de compra. Essa tecnologia permite que os clientes visualizem os produtos em seus próprios ambientes, como móveis em uma sala de estar ou roupas em seu corpo. Isso ajuda a reduzir devoluções e proporciona uma experiência mais envolvente e personalizada

Novas fontes de receita

Além de melhorar a experiência do cliente, a digitalização abre portas para que as empresas de varejo desenvolvam novos modelos de negócio e gerem novas fontes de receita. Uma dessas oportunidades são os serviços digitais, que permitem às empresas oferecer soluções online, além da simples venda de produtos.

Por exemplo, as redes de varejo podem lançar plataformas de assinatura, nas quais os clientes pagam uma mensalidade em troca de acesso a benefícios exclusivos, como entregas gratuitas, descontos especiais e conteúdo premium. Outra alternativa é a oferta de serviços de consultoria personalizada, em que a empresa utiliza seus conhecimentos do setor para assessorar clientes com dicas e soluções customizadas.

Por fim, a construção de um ecossistema digital integrado também pode gerar novas receitas. Isso envolve a oferta de uma gama mais ampla de produtos e serviços complementares, como assistentes virtuais, aplicativos de fidelidade e lojas virtuais. Essa abordagem de ecossistema digital cria um vínculo mais forte com o cliente e aumenta o valor agregado da proposta de impacto da digitalização.

A transformação digital no varejo traz benefícios em diversas frentes, impactando positivamente diferentes aspectos do negócio:

Experiência do cliente - A adoção de soluções digitais no varejo proporciona uma experiência de compra muito mais conveniente e personalizada para o cliente. Por meio de aplicativos móveis, sites responsivos e chatbots, as empresas podem oferecer um atendimento 24/7, com recomendações e funcionalidades customizadas, de acordo com o perfil e o histórico de cada consumidor. Isso resulta em maior satisfação e fidelização do cliente, que passa a valorizar ainda mais a marca

Desenvolvimento de habilidades - Para aproveitar ao máximo os benefícios da transformação digital, as empresas de varejo precisam investir na capacitação de sua equipe. Isso envolve treinar os colaboradores em novas tecnologias, ferramentas digitais e metodologias de trabalho ágeis. Essa jornada de desenvolvimento de habilidades digitais permite que a organização esteja preparada para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgem com a constante evolução do setor.

Eficiência operacional - No back-office, a digitalização permite a automação de diversos processos, desde o gerenciamento de estoques até a logística de entrega. Isso se traduz em redução significativa de custos operacionais, além de maior agilidade e precisão nas operações. Com acesso em tempo real a dados e insights sobre o desempenho do negócio, as empresas podem tomar decisões mais assertivas e ajustar suas estratégias com mais rapidez.

Desafios e oportunidades

Apesar dos benefícios, a transformação digital no varejo também enfrenta alguns desafios, mas que trazem consigo importantes oportunidades de crescimento.

Um dos principais desafios é a resistência à mudança, tanto por parte dos funcionários quanto dos clientes. Muitas vezes, as pessoas se sentem inseguras ou desconfortáveis com a adoção de novas tecnologias, o que requer uma abordagem cuidadosa e estratégica para a implementação de soluções digitais. Porém, isso também representa uma oportunidade de fortalecer a cultura organizacional e promover uma mentalidade mais aberta a inovações.

O investimento inicial necessário para a transformação digital é outro desafio significativo. Empresas de varejo precisam investir não apenas em infraestrutura e sistemas, mas também na capacitação de sua equipe. Embora esse investimento possa ser alto a curto prazo, os benefícios em termos de eficiência operacional, redução de custos e geração de novas fontes de receita tornam esse esforço amplamente compensador no longo prazo.

Outro desafio crucial é garantir a segurança e a privacidade dos dados dos clientes e das transações digitais. Com o aumento do número de interações online, é fundamental que as empresas de varejo adotem medidas robustas de cibersegurança e de proteção de dados pessoais. Essa preocupação, no entanto, representa uma oportunidade de conquistar a confiança dos consumidores e de se posicionar como uma marca confiável no mercado digital.

Apesar desses desafios, a transformação digital no varejo traz consigo grandes oportunidades de crescimento. A expansão do mercado, o aumento da eficiência operacional e a criação de novos modelos de negócio são apenas alguns dos benefícios que as empresas podem alcançar ao abraçar a jornada da digitalização. Essas oportunidades permitem que o varejo se reinvente, se torne mais competitivo e ofereça uma experiência de compra mais relevante e satisfatória para os clientes.

Por: Marcelo Antoniazzi*
*CEO da Gouvêa Consulting
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Vantagens do uso do CRM no varejo: transformando dados em estratégias


Foto: Zan Lazarevic/Unsplash

A competitividade no setor varejista está cada vez mais acirrada, exigindo que as empresas busquem maneiras inovadoras de se destacar e manter a relevância no mercado. Nesse cenário, o uso de tecnologias avançadas, como o CRM (Customer Relationship Management), tem se mostrado um diferencial competitivo. A ferramenta não apenas facilita o entendimento profundo dos clientes, mas também otimiza operações, permitindo que varejistas transformem dados em estratégias eficazes.

Conhecimento sobre hábitos do cliente

O CRM permite coletar e analisar dados detalhados sobre os hábitos de compra dos clientes, incluindo frequência de compras, itens mais buscados, formas de pagamento, canais, incidência de itens em oferta, entre outros. Esse conhecimento é importante para entender o comportamento do consumidor e identificar padrões de compra.

Ofertas personalizadas - Com um maior conhecimento dos clientes, os varejistas podem criar ofertas personalizadas que atendam às necessidades e preferências individuais dos consumidores, o que aumenta a relevância das promoções, a satisfação do cliente e garante proteção à margem de lucro.

Proteção da margem de lucro - Ao reduzir as promoções massificadas de preços, os varejistas podem proteger suas margens de lucro. Dados de mercado indicam que cerca de 40% das ofertas de preços não resultam em aumento de vendas. Com o CRM, é possível direcionar promoções de forma mais estratégica e eficaz para o público e no momento certos.

Melhores negociações com fornecedores - O CRM proporciona insights valiosos que podem ser utilizados nas negociações com fornecedores, o que permite a criação de iniciativas promocionais junto aos fornecedores mais assertivas e eficazes. Os parceiros também se beneficiam de um conhecimento mais claro das preferências e dos comportamentos dos consumidores quando há compartilhamento de dados do lado do varejo.

Consumo cruzado e afinidades - Compreender o consumo cruzado e a afinidade entre itens permite criar ações promocionais estratégicas, pois é possível oferecer produtos complementares e introduzir categorias que os clientes ainda não consomem, mas que têm similaridade com seus hábitos de compra. Isso ajuda a alavancar o ticket médio de compra, por exemplo.

Lançamentos de produtos - Identificar grupos de consumidores que são potenciais compradores de novos lançamentos ajuda a direcionar campanhas de marketing e promoções de forma mais eficiente, bem como garante um melhor retorno sobre o investimento (ROI).

Identificação de consumidores inativos - É possível identificar consumidores que deixaram de comprar e reduziram sua frequência, valor de compra ou até mesmo o número de categorias presentes na cesta, entre outros. Com essas informações, os varejistas podem desenvolver campanhas específicas para reengajar esses clientes.

Ajustes no sortimento - Com um conhecimento mais profundo dos clientes de cada canal de venda, os varejistas podem ajustar o sortimento de produtos para melhor atender às demandas e preferências específicas.

Portanto, em um mercado cada vez mais orientado por dados, o CRM se destaca como uma ferramenta indispensável para o varejo. Seja para gerar insights iniciais ou para aprofundar o conhecimento sobre o cliente, o CRM oferece inúmeras vantagens que podem transformar a forma como os varejistas conduzem seus negócios.

A adoção e o uso eficaz do CRM não só melhoram a experiência do cliente, como também impulsionam a eficiência operacional e a lucratividade das empresas.

Por: Fernanda Dalben *
*Diretora de Marketing da rede de Supermercados Dalben

Gestão eficiente em tempos de permacrise: quatro estratégias essenciais para aliviar a pressão nas empresas


Foto: Aaron Lefler/Unsplash

Quase chegando no meio do ano e é possível afirmar haver um certo sentimento de frustração ao se analisar as expectativas versus a realidade do primeiro semestre de 2024. Por mais que as expectativas para o ano fossem tímidas, embebidas em incertezas, ainda assim, previa-se arrefecimento inflacionário, crescimento modesto de PIB, uma certa estabilidade cambial e redução paulatina da taxa de juros.

A previsão era “morna”, com os agentes “em cima do muro”, podendo virar para positiva ou negativa, decorrente do que aconteceria ao longo do ano. O que acontece é que diversos fatores têm impedido que esse cenário vire para o positivo, e, aos poucos, o mercado passa a sinalizar que espera novo aumento nos preços, no câmbio, nos juros e estabilidade no crescimento, desenhando-se mais um ano de desafios para a economia brasileira.

Apesar do cansaço, sinalizado pelo pequeno recuo do Índice de Situação Atual (ISA), que mede como é interpretado o momento atual da economia pelo consumidor em 0,1 ponto, o brasileiro mantém-se otimista em relação ao futuro, com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC da FGV) registrando melhora nos meses de março e abril.

A sensação, que aos poucos começa a ficar mais evidente, é de que 2024 também será um ano difícil, decorrente dos acontecimentos recentes, nacionais e internacionais (conflitos bélicos, eventos climáticos extremos – como a tragédia vivenciada no Rio Grande do Sul –, incertezas em relação à condução da política econômica etc.).

Em 2022, o dicionário britânico Collins elegeu o termo “permacrise” como a expressão do ano, referindo-a a um período extenso de instabilidade e insegurança. Para o brasileiro, este termo faz muito sentido. Em 2024, o Brasil contabiliza 10 anos em crise, ora política, ora econômica, ora decorrente da pandemia de coronavírus, ora climática, ora de todos estes fatores “juntos e misturados” e outros mais. Mas, o fato é que 10 anos de crise desafiam até o próprio termo crise que, em economia, é utilizado para caracterizar uma fase do ciclo econômico. No caso brasileiro, 10 anos de crise é mais aderente às características de uma permacrise do que de uma crise em si, que se espera ter começo, meio e o tão esperado fim.

O cenário de permacrise está posto. Não é raro encontrar pessoas céticas em relação ao futuro e não é simples desvendar os motivos pelos quais o mundo passa por um período de permacrise. A permacrise afeta os governos, as empresas e agrava o quadro já limítrofe de saúde mental da população. O cenário de permacrise reflete-se em aumento da pressão sobre as pessoas e é necessário e urgente encontrar um caminho que leve a economia mundial de volta à bonança e ao crescimento. Este artigo não irá romantizar a permacrise dizendo que há oportunidades neste cenário, mas convidará o leitor a ter uma visão pragmática, que faça as empresas repensarem sua gestão de maneira a atenuar os efeitos dessa situação.

Novamente, o cenário está posto e, frente a ele, alguns comportamentos podem aliviar a pressão sobre as empresas e, assim, sobre as pessoas. São estes:

Previna-se e invista

Parece contraditório falar em prevenção e investimento, mas explicamos. Primeiramente, opere eficientemente. Identifique seus desperdícios e elimine-os. Utilize da melhor maneira possível seus recursos. Caso a forma de sua empresa ser mais eficiente e de melhor satisfazer seus clientes esteja no mercado, invista.

Invista em uma ação que irá reduzir seu consumo de energia elétrica, invista no desenvolvimento daquele produto que seu cliente está demandando, invista naquele novo canal que ampliará o alcance de sua oferta ou invista em compras mais inteligentes, invista na integração dos seus canais, reduzindo atrito.

Pense no custo de oportunidade e leve a sério, pois as oportunidades que você não aproveita também representam uma forma de desperdício.

Coloque, de uma vez por todas, o seu cliente no centro da sua estratégia

Colocar o cliente no centro da estratégia significa compreender que sua empresa existe, pois existe uma dor do cliente que você pode resolver. Nesse sentido, a sua missão deve ser resolver essa dor da melhor maneira possível, de forma criativa, com uma proposta de valor diferenciada. Mas, um ganho secundário é ainda mais relevante em tempos de incerteza quando uma empresa se aproxima de seu cliente.

Em tempos de incerteza, nada mais adequado do que receber informações estratégicas, em primeira mão e direto da fonte para direcionar a sua tomada de decisão. Estas informações estão com os seus clientes, por isso, você deve se aproximar dele.

Inclusive, o seu cliente vai adorar cocriar a oferta para suprir exatamente a necessidade dele e “de quebra” você cria relacionamento e aumenta o Lifetime Value (LTV), o que é muito valioso em tempos de elevados Custos de Aquisição de Clientes (CAC) devido ao aumento da concorrência.

A cultura do aprendizado deve estar enraizada em uma postura antifrágil

Aprender não significa apenas treinar, capacitar, realizar reuniões de avaliação e feedback. É tudo isso e muito mais. Uma organização que aprende desloca sua forma de pensar sucesso.

É evidente que auferir lucro é um objetivo das empresas, mas o caminho até o lucro envolve reconhecer que há projetos fracassados que são base fundamental para os projetos de sucesso. Se sua empresa não encoraja os colaboradores a ousar, a pensar “fora da caixa”, apesar do risco de errar, o máximo que alcançará são estratégias conservadoras com resultados convencionais.

Incentivar as ideias inovadoras, os testes e normalizar o erro, além de criar na empresa uma cultura de aprendizado, criar um ambiente de confiança, atenuando a pressão sobre as pessoas e melhorando a saúde mental dos colaboradores.

O conceito de antifragilidade (desenvolvido por Taleb) pode ser um guia na hora de colocar o aprendizado no DNA da sua empresa. A mentalidade antifrágil refere-se a sistemas que conseguem se beneficiar dos choques e crises por meio de alguns comportamentos: aprender com o erro, ter capacidade adaptativa, se beneficiar da redundância e diversificação (não colocar todos os ovos em uma só cesta), inovar continuamente, aceitar o caos (considerar a incerteza característica inerente ao sistema) e pensar a longo prazo.

Crie um ambiente de confiança para o trabalho

Já abordado no tópico anterior, é importante ressaltar que um ambiente de confiança é de suma importância para mitigar os danos de uma saúde mental precária. A permacrise afeta as pessoas em diversos âmbitos: seja por meio da redução do poder de compra, pelo impacto das notícias ruins, pelo aumento das incertezas e, assim, da ansiedade.

Se as organizações puderem ser um fator atenuante da pressão sobre as pessoas já contribuem grandemente. Além de que, há um ciclo vicioso entre saúde mental precária e desempenho no trabalho que pode ser quebrado quando se cria um ambiente que incentiva a confiança, o acolhimento e a criatividade.

Em resumo, o cenário de permacrise está aí e é mais real do que nunca. Certamente, é um cenário desafiador e que coloca as organizações em um lugar de incerteza, assim como coloca as pessoas em uma situação de pressão e de saúde mental precária. Sair deste cenário exige políticas amplas, de âmbito governamental, nacional e internacional, mas as empresas podem lançar mão de estratégias visando mitigar suas consequências e atenuar seus danos na vida de seus colaboradores.

Neste cenário adverso, mitigar os danos deve ser interpretado com um resultado positivo às empresas. No entanto, as práticas de gestão apontadas funcionam e potencializam os resultados empresariais a qualquer tempo. Neste sentido, nunca é tarde fazer os esforços necessários para implementá-las visando benefícios amplos e sustentáveis.

Definição de permacrise: um longo período de instabilidade e insegurança, especialmente aquele resultante de uma série de eventos catastróficos.

Por: Carolina Cândido*
*Consultora na Gouvêa Consulting
Fonte: Mercado&Consumo 

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

O futuro do varejo se escreve com IA


Foto: rawpixel_com/Freepik

São múltiplos fatores interagindo na construção dessa realidade emergente, mas já muito presente. Isso envolve um processo dramático de metaempoderamento dos consumidores-cidadãos, que com as ferramentas e recursos acessíveis, de forma cada vez mais massificada pela IA, reconfiguram de forma irreversível suas expectativas, desejos e comportamentos em relação às marcas, negócios, produtos, serviços e as próprias relações com outros consumidores-cidadão.

E também com o Estado e suas comunidades, que o fazem sem medo de errar, pois a todo mundo é dado o direito de testar, optar e mudar. E tudo isso acontece numa velocidade espantosa. Quem se lembra que a massificação do acesso ao ChatGPT, uma das primeiras alternativas disponíveis em larga escala, tem apenas 18 meses?

Da mesma forma, empresas, marcas, negócios, entidades, governos e organizações têm os mesmos recursos disponíveis, porém, em escala muito maior e acessível. Mas têm contra si a dificuldade da evolução sistemática pelos padrões, cultura e processo decisório. Talvez as únicas exceções sejam as empresas ligadas as áreas de tecnologia, digital e os ecossistemas de negócios.

E isso está gerando um descompasso em relação ao futuro. Diferente do passado, a velocidade da transformação está puxada pelo mercado e pela demanda, mais do que pela oferta.”

É isso que temos observado também no varejo e nos mercados de consumo, em que as alternativas são oferecidas, mas as empresas demoram para se dar conta da importância da adoção mais rápida, pois todo o processo está balizado em valores, cultura e atitudes do passado e do presente, enquanto consumidores já estão agindo conectados com o futuro. Criou-se um gap existencial empresarial.

Na última semana, durante o Digitail, evento centrado na transformação do e-commerce, alguns exemplos reais de uso foram apresentados, como nos cases Boticário, Pet Love, C&A, Amaro, Shopee por aqui; e aqueles mostrados também por Tencent, Stream Shop e Comerzzia. Uso efetivo e real.

Sem dúvida, o maior desafio é o discernimento entre o que é buzz e o que é elemento real de transformação. Sem falar que muito do básico passou a ser promovido travestido de IA.

Isso torna mais difícil e desafiante a missão de liderar em tempos de transformações revolucionárias, em que é preciso discernir de forma consistente o que é, de fato, transformador e precisa ser incorporado e o que buzz alimentado de forma frenética pelos mecanismos de ativação digital.

Ainda recentemente estávamos na China e Bill Gates anunciava que a IA permitiria que nós, ocidentais, pudéssemos trabalhar menos, talvez 3 a 4 dias apenas por semana.

Nós quem, cara pálida, perguntariam os 1,4 bilhões de chineses envolvidos pela proposta da busca da liderança política e econômica do mundo pela via da tecnologia e do digital?

É inegável o processo de aceleração das transformações, que já era frenético pré-IA massificada, acelerou ainda mais na fase pós, em especial pela massificação, simplificação e amigabilidade do acesso proporcionado pelas diversas plataformas disponíveis.

E como fica no varejo? Decifra-me ou te devoro.

Definitivamente, avança ainda mais e rápido, numa exponencial de mudanças que reconfigura todo o setor que tem o privilégio e o desafio de estar em contante conexão com o elemento fundamental desse processo, que é o omniconsumidor-cidadão elevado à potência IA.

Em suas atitudes como consumidor, como cidadão e como pessoa, seus comportamentos têm se alterado em velocidade crescente e não necessariamente evolutiva, mas disruptiva na maioria de seus aspectos.

Em um cenário mais amplo, lideranças dos setores de varejo, comércio e consumo se defrontam com a necessidade de se engajar, decidir prioridades, investimentos e foco num cenário reconfigurado, em que o passado deixa de ser uma referência para, em muitos casos, se tornar um ônus, pois condiciona opções pela história de uma realidade alterada a cada instante.

Não importa o cenário presente e futuro, mas para o varejo, que sempre foi impregnado em sua ação pela proximidade e conectividade com o consumidor mutante e mutável, o protagonismo será sempre uma demanda fundamental e pode trazer para o setor novos interesses, investimentos, foco e conexões, desde que possa pensar e reconfigurar os negócios para essa emergente realidade do futuro reescrito com IA.                                                                                              

Notas: Para quem não pôde acompanhar o Digitail é possível ter acesso ao conteúdo pelo link.

No Latam Retail Show, de 17 a 19 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo, haverá especial ênfase, conteúdo e programação dedicados às discussões dos impactos das transformações no mercado, no varejo, na alimentação e no foodservice na realidade global e local. Com a presença de marcas, negócios e iniciativas que mostram caminhos já sendo percorridos na integração virtuosa de negócios e desses setores para enfrentar os desafios à frente. O evento terá transmissão virtual de parte do conteúdo para os que não puderem participar presencialmente.

Por: Marcos Gouvêa de Souza*
*Fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem


Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.