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The Power of Place: a ciência de construir lugares atrativos e rentáveis


Foto: Pixabay/Pexels

Há 8 anos, a Starbucks lançou uma campanha certeira. Uma vasta equipe filmou, no mesmo dia, cenas que aconteciam nas lojas da marca em 28 países diferentes. A ideia era mostrar que a Starbucks era muito mais do que uma cafeteria.

As imagens mostraram pessoas conversando, namorando, dançando, jogando, enfim, convivendo. A frase que fechava o vídeo era simplesmente perfeita: “coisas boas acontecem quando a gente se encontra”.

Como disse Howard Behar, ex-presidente da marca, no livro “It’s not about the coffee” (Não é sobre café), a Starbucks não está no negócio de café, servindo pessoas, e sim no negócio de pessoas, servindo café. Os filmes mostravam isso na prática.

A campanha pretendia posicionar as lojas da Starbucks como um lugar onde as pessoas gostam de estar. O desafio era, e continua sendo, converter esse fluxo em vendas, para garantir a rentabilidade do negócio.

Marcas que transformaram espaços em lugares

Em tempos digitais, nunca precisamos tanto de lugares acolhedores, inclusivos e socializantes como hoje. Transformar espaços em lugares: essa é uma enorme oportunidade para lojas, parques, shopping centers. Algumas empresas, aliás, já estão fazendo isso.

Em 2019, a CBRE revitalizou o antigo centro comercial Dolce Vita Tejo, em Lisboa. Trocou o nome para Ubbo e aplicou nele o conceito de shopping resort, explorando fortemente o entretenimento.

O ponto alto do Ubbo é uma grande praça, que, embora coberta, transmite a sensação de amplitude e espaço aberto. Ali misturam-se restaurantes, atrações infantis fixas e eventos, alguns pagos e outros gratuitos. Uma enorme tela, visível de todos os lugares, transmite clips musicais e publicidade. Uma delícia de lugar.

Assim como também é delicioso o Ecovilla, projeto da Ri Happy, localizado dentro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. A área de venda de brinquedos é apenas parte de algo bem maior e mais interessante para crianças e suas famílias. O espaço tem teatro, brinquedão, salas para oficinas e muita diversão em toda parte.

O objetivo do Ecovilla é oferecer um lugar para descobertas, conexão, expressão, aprendizado e, principalmente, muita brincadeira. Materializa o propósito da Ri Happy de que o brincar ajuda a desenvolver as crianças. De quebra, ajuda a reforçar a imagem da marca e vender produtos.

Outro bom exemplo é o Parque Ibirapuera, que depois de privatizado passou a ser gerido pela Urbia. Respeitando a vocação do parque, que é ao mesmo tempo um lugar para prática de esportes e lazer para as famílias paulistanas, o Ibirapuera agregou restaurantes, adicionou quadras esportivas, promove eventos.

De maneira criativa e eficiente, a Urbia atraiu grandes marcas para patrocinar áreas dentro do parque, instalou painéis de publicidade e gera receitas que fazem a operação ser lucrativa, ao mesmo tempo em que eleva a experiência dos seus frequentadores.

Nos três casos, a construção do senso de lugar vem acompanhada de resultados econômicos, que viabilizam a operação. Não é fácil, mas sem isso a ideia não para em pé. Simples assim.

A importância do lugar

Muitas vezes, esquecemos de como precisamos de lugares. O filósofo americano Edward Casey, que escreveu livros sobre o tema, gosta de lembrar da sua importância. “Estamos cercados por lugares. Andamos sobre e através deles. Vivemos em lugares, neles nos relacionamos com os outros, morreremos em um lugar. Tudo o que fazemos acontece em um lugar”, escreveu Casey em seu livro “The fate of place” (algo como ‘O destino do lugar’, em adaptação livre).

Além da nossa existência estar intrinsicamente ligada a lugares físicos, somos ainda seres gregários. Precisamos de locais para um tipo de socialização que o digital não permite. Scott Galloway, escritor, professor e consultor americano, afirmou no ano passado, em entrevista ao The Wall Street Journal, que “as redes sociais criam uma ilusão de que temos um monte de amigos, mas não vivemos ali uma experiência de amizade verdadeira”. Ele tem razão. Amizades e memórias marcantes ainda são construídas em lugares.

Experiências relacionadas a lugares

Há pessoas que gostam de lugares desabitados, onde nada acontece. De fato, eles podem ser úteis para proporcionar momentos de reflexão ou relaxamento. No caso de lojas, parques e shopping centers, no entanto, as pessoas buscam não apenas ambientes atrativos, mas também viver ali experiências memoráveis.

Nunca esqueço de uma frase que o diretor de Varejo da Disney disse, certa vez, em uma palestra, sobre a missão das Disney Stores: “queremos proporcionar os melhores 30 minutos do dia de uma criança”. Ambiciosa e pertinente, essa visão se aplica muito bem a diferentes negócios.

Como criar experiências relacionadas a lugares? Nas pesquisas que temos feito sobre o assunto, descobrimos várias respostas, muitas delas fascinantes. Kevin Kelley, por exemplo, autor do livro “Irreplaceable”, acredita que o caminho passa por criar “uma experiência situacional em que as pessoas se sentem emocionalmente ligadas a um lugar e aos seus ocupantes, devido à sensação de valores, propósito e identidade compartilhados”.

Ele fala sobre propósito, identidade e valores comuns. Em outras palavras, se um lugar não tem um propósito e uma identidade de marca claros, terá mais dificuldade em reunir comunidades, desenvolver pertencimento e senso de lugar.

Shopping centers são essencialmente lugares e não devem se esquecer disso

O Ecovilla, da Ri Happy, reúne uma comunidade familiar, que compartilha a importância do brincar, como elemento fundamental do desenvolvimento infantil. O Parque Ibirapuera atrai diversas tribos de esportistas, que buscam práticas que levam a uma vida saudável, além de pessoas em busca de bons momentos e contato com a natureza. O Ubbo acredita que sua missão é proporcionar diversão, dentro e fora das lojas.

Todos tiveram sucesso na construção de senso de lugar, porque sabem o que são (identidade) e qual propósito possuem. Tudo começa por aí.

Shopping centers são, na essência, lugares de encontro (com outros, com as novidades, consigo mesmo) e prazer. Embora tenham flertado por um tempo com o conceito de templos de consumo, está claro, nos quatro cantos do planeta, que precisam voltar à origem. As mudanças no comportamento de compras dos novos e conectados habitantes do planeta e nas dinâmicas dos canais de compra apenas aceleraram a necessidade desse retorno.

Compreender perfeitamente quais comunidades que deve atender, definir com precisão a identidade e o  propósito da marca, e mergulhar fundo na psicologia e anatomia dos lugares são desafios que deveriam estar no topo das prioridades de muitas empresas para 2025 e além.

Por: Luiz Alberto Marinho*
*Sócio-diretor da Gouvêa Malls

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Como decidir se é a hora certa de abrir mais lojas


Foto: Emirkhan Bal/Pexels

Expandir um negócio é o sonho de muitos lojistas. A possibilidade de abrir uma nova loja e alcançar novos mercados é uma meta que simboliza crescimento e sucesso. No entanto, essa decisão precisa ser cuidadosamente avaliada, pois envolve desafios significativos que podem impactar tanto a loja matriz quanto a nova unidade. Determinar o momento certo para expandir exige uma análise criteriosa de diversos fatores, desde o desempenho financeiro até a capacidade organizacional.

Com as informações e exemplos práticos apresentados, você terá uma base sólida para decidir se é a hora certa de expandir seu negócio. Lembre-se, a expansão deve ser um passo planejado e bem fundamentado, garantindo que seu crescimento seja sustentável e que a nova loja contribua positivamente para o sucesso da sua rede.

Avaliação do desempenho atual

Antes de considerar a abertura de uma nova loja, é fundamental realizar uma análise detalhada do desempenho da sua loja matriz. Esse passo é essencial para garantir que a expansão seja baseada em fundamentos sólidos e não em um impulso momentâneo. O primeiro ponto a ser avaliado é o controle financeiro. Você precisa ter uma compreensão clara das suas margens de lucro, do fluxo de caixa e das reservas financeiras. Sem esse domínio, abrir uma nova loja pode ser um risco desnecessário.

Além das finanças, é crucial que os processos internos da loja estejam bem definidos e funcionando de maneira eficiente. Isso inclui desde a gestão de estoque até o atendimento ao cliente. Se a sua operação atual ainda enfrenta problemas, como falhas na logística ou dificuldades em manter a qualidade do serviço, expandir pode apenas multiplicar esses problemas. A organização interna deve ser robusta o suficiente para suportar a pressão adicional que uma nova unidade trará.

Por fim, uma métrica chave para avaliar o momento certo de expandir é o lucro líquido que sua loja atual gera. Se ela consegue manter um lucro considerável, mesmo após todas as despesas, isso pode indicar que você tem uma base financeira sólida para suportar os desafios de uma nova abertura. Contudo, é importante ter em mente que dobrar o número de lojas não necessariamente dobrará o lucro, especialmente se a gestão não estiver preparada para essa expansão.

Para aqueles que desejam realizar esse movimento com maior segurança, é recomendável ter em caixa o equivalente a pelo menos seis meses de despesas da nova loja, assumindo que ela tenha zero vendas durante esse período. Esse colchão financeiro garantirá que a loja possa operar sem gerar prejuízos imediatos, oferecendo tempo para que ela atinja o ponto de equilíbrio. Além disso, é crucial considerar os custos associados ao fechamento da loja, caso o negócio não prospere.

Esses custos incluem a entrega do imóvel, os ajustes necessários para devolvê-lo em boas condições, as demissões de funcionários, entre outros. Ter uma folga de dinheiro para cobrir esses possíveis cenários é essencial para garantir que a expansão não coloque em risco a saúde financeira de todo o negócio.

Essa abordagem cautelosa permitirá que você avance com a expansão de forma estratégica, minimizando os riscos e aumentando as chances de sucesso.

Análise de mercado

Uma vez que o desempenho da loja matriz tenha sido avaliado e considerado sólido, o próximo passo crucial na decisão de expandir é realizar uma análise detalhada do mercado onde a nova loja será aberta. Essa análise envolve identificar o público-alvo, avaliar a demanda local e entender o nível de concorrência na área pretendida. A escolha da localização da nova loja pode determinar o sucesso ou fracasso da expansão.

A primeira consideração é se você pretende abrir a nova loja na mesma cidade ou em uma localidade diferente. Expandir dentro da mesma cidade pode facilitar a gestão e a logística, mas também pode resultar em canibalização de clientes, especialmente se as lojas estiverem muito próximas. Por outro lado, abrir em outra cidade pode trazer novos desafios, como a necessidade de adaptar o modelo de negócio a um público diferente e a complexidade de gerenciar uma operação à distância.

É fundamental realizar pesquisas de mercado para entender se há demanda suficiente para sustentar uma nova loja. Isso pode incluir estudos demográficos, pesquisas de campo e análise de dados de vendas de concorrentes na área. Além disso, é importante avaliar a infraestrutura local, como acessibilidade, visibilidade e fluxo de pessoas, que podem impactar diretamente no volume de vendas da nova loja.

Outro ponto a considerar é a concorrência. Entender quem são os principais concorrentes na região e como eles operam é vital para definir sua estratégia de entrada no mercado. Se a concorrência for muito forte, talvez seja necessário ajustar seu posicionamento ou oferecer algo diferenciado para atrair clientes. Isso pode incluir desde promoções e marketing mais agressivo até a oferta de produtos ou serviços exclusivos que não estejam disponíveis nas lojas concorrentes.

Por fim, é importante lembrar que a abertura de uma nova loja deve ser vista como uma extensão da marca e dos valores da sua empresa. Manter a consistência na qualidade do serviço e no atendimento ao cliente será crucial para que a nova unidade reflita positivamente na percepção geral do seu negócio. Planejar cuidadosamente cada um desses aspectos pode aumentar significativamente as chances de sucesso na nova empreitada.

Recursos e estrutura organizacional

Expandir um negócio requer muito mais do que apenas capital e uma boa localização. É essencial ter uma estrutura organizacional robusta e uma equipe capacitada para sustentar o crescimento. A gestão de múltiplas lojas pode se tornar um desafio se a equipe atual não estiver preparada para assumir novas responsabilidades. Portanto, antes de abrir uma nova loja, é fundamental garantir que você tenha as pessoas certas nos lugares certos.

O primeiro passo é avaliar se a sua equipe atual pode suportar a operação de mais uma unidade sem comprometer a qualidade do serviço. Se, por exemplo, a loja matriz depende fortemente de sua presença para funcionar bem, a expansão pode sobrecarregar ainda mais a operação. Nesses casos, é crucial identificar e treinar líderes dentro da equipe que possam assumir responsabilidades maiores, garantindo que a matriz continue a operar eficientemente enquanto você se concentra na nova unidade.

Treinar e preparar a equipe para a expansão não é uma tarefa que se resolve em dias. O ideal é começar esse processo meses antes da abertura da nova loja, permitindo que os funcionários adquiram as habilidades e conhecimentos necessários para gerenciar suas novas responsabilidades. Esse treinamento pode incluir aspectos como gestão de estoque, atendimento ao cliente, controle financeiro e até mesmo liderança e resolução de problemas. Além disso, delegar responsabilidades é uma parte fundamental para o sucesso da expansão.

Criar uma estrutura clara de hierarquia e atribuir papéis específicos a cada membro da equipe ajudará a evitar sobrecargas de trabalho e garantirá que todas as áreas do negócio sejam cobertas. Uma boa prática é implementar processos e sistemas que permitam que a operação funcione de maneira autônoma, sem depender constantemente da sua supervisão direta.

Outro aspecto importante é garantir que você tenha uma estrutura de suporte robusta para a nova loja, que inclua desde a logística de abastecimento até a administração do dia a dia. Isso pode significar a contratação de novos funcionários, a implementação de sistemas de gestão que integrem todas as unidades, e até mesmo o estabelecimento de parcerias estratégicas que possam fornecer suporte adicional quando necessário.

Por fim, é importante lembrar que a cultura organizacional deve ser mantida e reforçada em todas as lojas. Isso significa que valores, missão e visão da empresa precisam ser claramente comunicados e vivenciados por todos os funcionários, independentemente de qual loja eles estejam. Uma cultura forte e unificada não só facilita a gestão, mas também fortalece a marca e cria uma experiência consistente para os clientes em todas as unidades.

Planejamento logístico e financeiro

Uma expansão bem-sucedida depende de um planejamento logístico e financeiro meticuloso. Ao abrir uma nova loja, a complexidade de gerenciar o estoque, o fluxo de caixa e a logística de distribuição aumenta significativamente. Por isso, é crucial que todos esses aspectos sejam cuidadosamente planejados para evitar problemas que possam comprometer tanto a nova unidade quanto a loja matriz.

O primeiro passo é garantir que você tenha uma estratégia clara para a gestão de estoque. É importante decidir se a nova loja terá um estoque próprio ou se será abastecida por um depósito central. Um depósito centralizado pode simplificar a gestão e reduzir custos, pois permite que você controle melhor os níveis de estoque e evite excessos ou faltas. No entanto, essa abordagem exige uma logística eficiente para garantir que os produtos cheguem às lojas no momento certo, sem atrasos que possam prejudicar as vendas.

Além do estoque, o planejamento financeiro é outro pilar fundamental para a expansão. Como mencionado anteriormente, é recomendável ter em caixa o equivalente a pelo menos seis meses de despesas operacionais da nova loja, partindo do pressuposto de que ela pode não gerar vendas imediatamente. Isso inclui custos como aluguel, salários, fornecedores, contas de energia e outros gastos fixos. Esse fundo de reserva proporciona uma margem de segurança que permite à nova unidade operar sem colocar em risco a estabilidade financeira do negócio.

Outro aspecto financeiro a ser considerado é o custo potencial de fechar a nova loja, caso o empreendimento não dê certo. Isso inclui despesas como a rescisão do contrato de aluguel, reformas necessárias para devolver o imóvel em boas condições, indenizações trabalhistas e outros custos associados ao encerramento das atividades. Ter esse montante reservado é crucial para evitar que um possível fechamento cause um impacto negativo significativo no fluxo de caixa geral da empresa.

O planejamento logístico também deve incluir a organização da cadeia de suprimentos e a definição clara de responsabilidades para cada etapa do processo. Desde a compra de mercadorias até a entrega final na loja, cada passo deve ser planejado para maximizar a eficiência e minimizar custos. Investir em tecnologia, como softwares de gestão de estoque e logística, pode ser uma solução eficaz para manter o controle e garantir que tudo funcione de maneira integrada.

Por fim, é essencial revisar constantemente o plano financeiro e logístico após a abertura da nova loja, ajustando conforme necessário. A realidade do mercado pode mudar e estar preparado para se adaptar a essas mudanças pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso da expansão.

Riscos e desafios

Abrir uma nova loja traz consigo uma série de riscos e desafios que, se não forem cuidadosamente gerenciados, podem comprometer o sucesso da expansão e até mesmo a saúde financeira do negócio como um todo. Por isso, é fundamental que os lojistas estejam plenamente cientes desses riscos e tomem medidas proativas para mitigá-los.

Um dos principais riscos é o impacto que a nova loja pode ter sobre a matriz. Se a loja matriz não estiver financeiramente sólida ou se a gestão de seus processos internos não for eficiente, a nova unidade pode acabar drenando recursos e energia que deveriam ser direcionados para manter o negócio principal saudável. Esse é um problema comum entre lojistas que expandem sem antes garantir que a operação existente esteja realmente preparada para suportar a carga adicional.

Outro desafio significativo é a duplicação de problemas. Se a sua loja atual enfrenta dificuldades, como baixa lucratividade, problemas de fluxo de caixa, ou inconsistências na gestão, esses problemas tendem a se multiplicar com a abertura de uma nova unidade. Em vez de resolver os problemas, a expansão pode exacerbar as dificuldades existentes, criando um cenário em que tanto a matriz quanto a nova loja lutam para sobreviver.

Além disso, a gestão à distância pode se tornar um desafio. Quando as lojas estão em locais diferentes, especialmente em cidades diferentes, a dificuldade de supervisão aumenta. Isso pode levar a problemas de controle de qualidade, inconsistências no atendimento ao cliente e dificuldades na implementação de políticas e procedimentos uniformes. Para mitigar esses desafios, é essencial que o lojista tenha sistemas de gestão e processos claros para garantir que as unidades operem de forma consistente e eficiente. Nesse contexto, o uso de um sistema de gestão como o Awise pode ser extremamente valioso. Com uma solução integrada, o lojista pode manter o controle sobre todas as operações, mesmo à distância, garantindo que a expansão não comprometa a qualidade e a eficiência do negócio.

Outro risco que não pode ser ignorado é o financeiro. Mesmo com um planejamento cuidadoso, há sempre a possibilidade de que as projeções de vendas e despesas não se concretizem como esperado. A nova loja pode levar mais tempo para atingir o ponto de equilíbrio do que o planejado, ou os custos podem ser maiores do que o previsto. Por isso, é vital ter uma reserva financeira para cobrir despesas inesperadas e garantir que o negócio possa operar durante esse período de ajuste.

Por fim, é importante considerar o risco de saturação de mercado. Se o mercado local já está saturado com concorrentes, a nova loja pode ter dificuldades para se estabelecer e atrair clientes suficientes para ser viável. Isso requer uma análise de mercado detalhada e, possivelmente, a busca de nichos ou diferenciais competitivos que possam atrair um público específico.

Reconhecer e planejar para esses riscos é crucial para o sucesso da expansão. Ao adotar uma abordagem cautelosa e bem planejada, os lojistas podem minimizar os riscos e aumentar as chances de que a nova loja seja um sucesso, contribuindo positivamente para o crescimento do negócio.

Por: Stéfano Willig*
*CEO da Awise QuantoSobra 
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Estratégia de loja perfeita: colocando o shopper no centro das decisões no ponto de venda


Foto: Feepik

Um dos temas mais relevantes na relação entre as indústrias e seus clientes varejistas é o sell out, ou seja, as vendas realizadas pelo varejo ao consumidor final. Mesmo que o sell in (as vendas da indústria ao varejo) seja bem trabalhada e negociada, se não houver sell out, certamente haverá interrupção ou, no mínimo, redução nos próximos ciclos de pedidos.

É curioso que muitas indústrias ainda paguem as comissões de vendas ou bônus apenas sobre o sell in, mas esse é um tema para um outro artigo. Agora, quero destacar uma das estratégias mais vencedoras para garantir o sell out de forma consistente: a loja perfeita.

Loja perfeita é uma estratégia de trade marketing colaborativa entre indústria e varejo para propiciar ao shopper uma experiência perfeita de compra no ponto de venda. O primeiro passo é conhecer muito bem o comportamento do consumidor e suas jornadas de compra nos diferentes canais de venda, categoria e regionalidade. Como essas variáveis são bastante distintas, as estratégias precisam ter abordagens adaptadas a cada caso.

E quais são os pilares de uma estratégia de loja perfeita para que se tenha uma execução imbatível no ponto de venda?

Presença: disponibilidade dos produtos no ponto natural, ou seja, buscar ruptura “zero” para o sortimento definido para cada localidade e canal de venda;

Preço: produtos etiquetados corretamente e com a precificação adequada, considerando as negociações comerciais e a concorrência;

Share: o share de gôndola no PDV que reflete a market share da categoria;

Pontos extra: presença de produtos em espaços adicionais ao ponto natural, decorrente de ativações da marca e conquista de espaços no PDV.

Um ponto fundamental em uma estratégia de loja perfeita é estabelecer metas e indicadores de desempenho (KPIs) que estejam atrelados à estratégia da empresa, de seus objetivos de negócios e que sejam coerentes com os segmentos de clientes. Os KPIs devem ser mensurados e trabalhados para que a estratégia possa ser continuamente aprimorada, pois o mercado é muito dinâmico e exige ajustes constantes.

A implementação de uma estratégia de loja perfeita depende de muitos fatores, tais como a integração entre as áreas e os processos core da empresa e seus clientes, a utilização de ferramentas tecnológicas para fazer a gestão do dia a dia, o monitoramento dos resultados, uma equipe de promotores de vendas capacitada, motivada e com alta produtividade. E, principalmente, a questão cultural e a maturidade com que se constrói e executa essa estratégia, sabendo que é uma maratona, não uma corrida de 100 metros.

Nota: No Latam Retail Show, de 17 a 19 de setembro no Center Norte, em São Paulo, abordaremos este tema em profundidade, com a apresentação de 3 cases, em um painel realizado no dia 18 de setembro às 16h30.

Por: Rodrigo Catani*
*Head da Gouvêa Consulting
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

A importância do marketing holístico no varejo


Foto: Canva Studio/Pexels

O marketing holístico é uma abordagem que considera o marketing como um sistema único e interligado. Em vez de tratar os diferentes aspectos do marketing, como publicidade, vendas, atendimento ao cliente e branding, de forma isolada, o marketing holístico busca a sinergia entre esses componentes. A ideia é que cada elemento trabalhe em conjunto para oferecer uma experiência consistente e de real valor para o consumidor, bem como esteja alinhado com a visão e os objetivos de uma empresa.

Um dos pilares do marketing holístico é o marketing integrado, que assegura a consistência em todas as formas de comunicação e canais utilizados pela empresa. No varejo, isso significa que mensagens promocionais, campanhas, atendimento ao cliente e presença digital, por exemplo, devem estar em perfeita harmonia e consistência.

Outro aspecto fundamental é o marketing interno, que destaca a importância de envolver e motivar os colaboradores. Funcionários bem treinados e alinhados com os valores e objetivos da empresa oferecem um atendimento melhor, criando uma experiência de compra positiva e memorável. No varejo, em que o contato direto com o cliente é frequente, a qualidade do atendimento pode ser um fator decisivo para a retenção dos clientes.

O marketing de relacionamento estabelece vínculos duradouros com os consumidores, traduzindo-se em programas de fidelidade, ofertas personalizadas e comunicação contínua e relevante. Dessa forma, entender e antecipar as necessidades dos clientes e oferecer soluções personalizadas fortalece o engajamento.

Já a responsabilidade social também é um componente vital do marketing holístico, pois reflete o compromisso da empresa com a comunidade e o meio ambiente. Práticas sustentáveis de ESG nas operações podem atrair consumidores que valorizam empresas éticas e responsáveis, o que melhora a imagem da marca e promove uma conexão mais profunda com o público.

Por fim, a integração entre tecnologia e análise de dados é crucial para o marketing holístico moderno. Ferramentas de CRM e big data permitem uma compreensão mais precisa do comportamento do consumidor, orientando decisões cada vez mais estratégicas.

Portanto, o marketing holístico no varejo promove uma integração eficaz entre todas as áreas da empresa, resultando em uma experiência de compra cada vez melhor e consistente. Ao adotar essa abordagem, as empresas não apenas elevam a satisfação do cliente, mas também criam uma base sólida para o sucesso sustentável dos negócios.

Por: Fernanda Dalbe*
*Diretora de Marketing da rede de Supermercados Dalben 
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.

Tecnologia permite eficiência, retenção de talentos e melhoria para empresas


Foto: Shutterstock

A tecnologia se tornou indispensável para empresas de todos os ramos, ao proporcionar uma série de benefícios, que incluem economia de energia, tempo e dinheiro. No contexto da gestão de pessoas, a ferramenta facilita os processos, melhora o relacionamento com os colaboradores e reduz dificuldades do cotidiano, gerando economia de recursos, um modelo de recrutamento e treinamento mais assertivo, e uma análise mais eficiente de críticas e sugestões. No setor de bares e restaurantes, em que o alto turnover é um desafio significativo, os recursos tecnológicos podem ser ainda mais benéficos.

Uma pesquisa recente mostra que 74% dos empreendedores apresentam dificuldade em atrair profissionais e mantê-los na empresa. Para se ter ideia, o levantamento mostra que a taxa de rotatividade no setor, no Brasil, foi de 77,6% em 2023, número levemente inferior em relação a 2022, quando chegou aos 78,1%.

Os números revelam uma dor do segmento que pode ser reduzida por meio da tecnologia. Ferramentas de gestão de talentos, por exemplo, ajudam a identificar e a desenvolver habilidades críticas nos colaboradores, além de promover um ambiente de trabalho mais engajador. Sistemas de feedback contínuo e programas de reconhecimento também são facilitados pela tecnologia e contribuem para o aumento da satisfação e da lealdade do time.

Otimizar operações diárias em bares e restaurantes por meio de sistemas de ponto de venda integrados com a gestão de estoque, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência, é mais uma vantagem do uso da tecnologia. Ainda, aplicativos de agendamento de turnos e gerenciamento de tarefas permitem uma melhor organização e distribuição de trabalho, diminuindo a carga sobre os gestores, aumentando a autonomia da equipe e melhorando a satisfação dos funcionários.

Por fim, adotar a tecnologia na gestão de pessoas é um passo essencial para qualquer empresa que busca eficiência, economia e um ambiente de trabalho harmonioso. Investir em tecnologia não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade para a sustentabilidade e o crescimento das empresas no mercado atual.

Por: Fernando Blower*
*Diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR)
Fonte: Mercado&Consumo

Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da TGM Representações.